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    AS TARTARUGAS NINJA

    Reboot apela para efeitos e nostalgia, mas é preguiçoso
    Por Daniel Reininger
    11/08/2014

    Quem esperava muito do novo Tartarugas Ninja deve ser uma pessoa muito otimista. Produzido por Michael Bay, estava claro que o filme seguiria a fórmula de Transformers e tentaria atrair o público com cenas de ação grandiosas e ótimos efeitos especiais. A diferença é que o reboot dos quelônios utiliza muito melhor o humor, tem personagens mais interessantes e realmente arranca risadas do público sem precisar apelar.

    A trama mostra a batalha de Leonardo, Raphael, Donatelo e Michelangelo contra o terrível Clã do Pé, único motivo para os irmãos saírem dos esgotos e se aventurarem em Nova York. Quando a jornalista April O'Neil (Megan Fox) descobre sua existência, passa a investigar a verdade por trás desses heróis. Assim como Transformers, o roteiro é preguiçoso e personagens aparecem nos locais certos na hora certa e muitos deles estão interligados de forma conveniente para simplificar a narrativa. Além disso, muitas situações existem apenas para garantir a próxima cena de luta, independentemente se ela faz ou não sentido.

    A consequência é um filme sem lógica, no qual o diretor Jonathan Liebesman assume que as crianças, claramente público alvo da produção, não precisam de coerência para se divertir, basta verem imagens coloridas em movimento entre uma piadinha e outra. A falta de preocupação com o espectador mais velho fica óbvia a cada nova revelação do suposto mistério da origem das tartarugas ou do plano maligno dos vilões, que quando entra em ação só aumenta o tom de deboche.

    Assim como na franquia dos robôs, o filme gira em torno dos personagens humanos e os seres criados por CGI são reduzidos a meros personagens secundários em seu próprio longa, ao contrário do que acontecia, por exemplo, nos clássicos dos 1990. Aí entra em cena Megan Fox, que no papel da repórter do Canal 6 é responsável por fazer a trama caminhar. Curiosamente, a atriz segura a onda e, embora continue com a profundidade emocional de uma porta, ao menos não passa vergonha.

    Além dela, as tartarugas são engraçadas e as personalidades de cada uma estão bem delimitadas. Apesar do visual imponente ter ficado ótimo, outros elementos conhecidos dos quadrinhos, desenhos ou filmes são deixados de lado e as coisas acontecem de forma bem diferente - o que não chega a ser um problema para uma franquia que a cada nova versão assume diferenças irreconciliáveis com os outros materiais lançados.

    Como você deve imaginar, tecnicamente a produção é muito bem feita, principalmente no quesito efeitos especiais. Os ângulos de câmera e fotografia lembram muito o trabalho de Michael Bay, que parece não ter resistido à tentação de meter o dedo na obra. O maior problema visualmente é o vilão Destruidor, exagerado, sem graça e com um arsenal ridículo de laminas retráteis que o fazem parecer um canivete suíço ambulante.

    As Tartarugas Ninja não é o reboot que muitos fãs nostálgicos gostariam de ver, embora o longa apele para a nostalgia sempre que possível, mas também não chega a ser um desastre. Apesar da origem dos heróis não ser a história mais empolgante a ser levada ao cinema, a narrativa consegue capturar bem a lealdade de um ao outro, ponto principal das histórias dos irmãos verdes.

    Quem gosta da franquia ou é fã de Transformers terá maior facilidade para simpatizar com Leonardo e companhia. Só isso deve garantir boa bilheteria e sequências eternas assinadas por Michael Bay, o que não é necessariamente uma boa notícia.