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    AS TARTARUGAS NINJA - FORA DAS SOMBRAS

    Sequência mostra boa evolução da franquia
    Por Daniel Reininger
    10/06/2016
    5/10

    AS TARTARUGAS NINJA - FORA DAS SOMBRAS

    Aventura

    Se você gostou do primeiro As Tartarugas Ninja de 2014, ou se gostava dos desenhos e filmes dos anos 90, Fora das Sombras é perfeito para você, afinal abraça toda a loucura e bizarrice do universo dos mutantes adolescentes e transfere-as para a telona sem medo de parecer ridículo. Na verdade, o longa é melhor que o anterior exatamente por abraçar o ridículo e o esquisito e nem mesmo tentar fazer algo sério, brincando com elementos clássicos da franquia para alegria dos fãs.

    Agora, se você nunca foi muito com a cara dos personagens, é melhor nem perder seu tempo, afinal, o longa em si tem diversos problemas: de ritmo, de CGI, de roteiro, de atuação. Além disso, as situações improváveis podem tirar do sério qualquer um que não goste das loucuras de Leonardo, Michelangelo, Raphael e Donatello.

    Para compensar, o longa é um pouco mais animado. Como o reboot de 2014 apresentou uma história de origem, a sequência pôde colocar os personagens direto na pancadaria e isso já melhora um pouco as coisas. Outra mudança é que o foco da história, agora, realmente são as tartarugas, ao contrário do primeiro, que mostrava demais a repórter April O'Neil (Megan Fox) e seu cameraman, Vern Fenwick (Will Arnett). Como deve acontecer, os heróis verdes tomam o controle de seu próprio filme e passam mais tempo na tela.

    A trama é novamente simples. Destruidor foge da cadeia, é recrutado pelo alienígena Krang (quem assistiu aos desenhos vai lembrar bem dele) para dominar o mundo. Para isso, o vilão humano precisa de artefatos de outro planeta que podem abrir um portal para a Terra. Para ajudá-lo, ele cria dois monstros mutantes: Bebop (Javali) e Rocksteady (Rinoceronte) para agirem como seus capangas e recuperarem os itens.

    Embora o roteiro ainda esteja cheio de furos, o texto é melhor do que o do primeiro filme, o que deixa a narrativa mais direta e menos confusa. Agora, todos os elementos que não fazem muito sentido, ao menos, fazem parte da mitologia desses personagens. Como consequência, o enredo está ainda mais infantil do que o anterior, o que não chega a ser um problema, principalmente pelo fato desse novo longa não irritar tanto os adultos.

    Além disso, as sequencias de ação estão melhores, principalmente as lutas. Faltaram mais cenas de Bebop e Rocksteady contra as Tartarugas, também seria ótimo ver o vilão Destruidor tentar sua vingança contra os mutantes, mas as boas sequências de combate e as incríveis cenas aéreas – com pulos entre aviões - ou na água, filmadas nas Cataratas do Iguaçu, são realmente interessantes.

    Casey Jones, interpretado por Stephen Amell da série Arrow, é uma ótima adição ao elenco, assim como os malucos Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Stephen "Sheamus" Farrelly), os quais parecem ter saído diretamente dos desenhos dos anos 90. Em compensação, Megan Fox continua com a profundidade emocional de uma porta no papel de April O'Neil e Will Arnett está ainda mais chato como Vern Fenwick. O lado bom é que esses dois últimos personagens perdem muito espaço na trama, então também incomodam menos.

    Quanto às Tartarugas, Leonardo (Pete Ploszek) está tendo problemas para manter o grupo junto. Ele, Raphael (Alan Ritchson), Michelangelo (Noel Fisher) e Donatello (Jeremy Howard) passam pelas típicas ansiedades da adolescência e os quatro nem sempre se entendem, em uma subtrama desnecessária, mal construída e mal concluída.

    Para fechar, os efeitos especiais não são consistentes e, embora sejam excelentes por boa parte do tempo, vacilam feio em diversas cenas e as tartarugas e seus inimigos parecem claramente terem sido criados por computador. Além do mais, o alienígena Krang nunca parece algo realista e suas aparições geram estranheza. Dito isso, não acho que realismo era o objetivo da equipe de produção de qualquer forma.

    As Tartarugas Ninja - Fora Das Sombras é melhor do que o primeiro em diversos aspectos, o que é um bom sinal de evolução. Algumas cenas de ação e comédia são realmente divertidas, mas essa ainda é uma franquia voltada para os fãs dos personagens e deve deixar muitos espectadores desavisados perdidos.

    Entretanto, ver que a produção corrigiu erros do anterior e se aproxima do tom do desenho clássico é uma boa notícia e dá esperanças de vermos algo realmente bom no futuro. Sem falar que esse filme tem mais chance de conquistar as crianças e angariar fãs entre os pequenos do que o primeiro. Vamos ver se isso garante o futuro da franquia.