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    AS TORRES GÊMEAS

    Por Celso Sabadin
    29/09/2006

    John Travolta, George Clooney e Mel Gibson estavam certos: sabiamente, recusaram o papel principal do Sargento McLouglin no filme As Torres Gêmeas. Sobrou para Nicolas Cage, coitadinho, participar deste que é um dos mais fracos trabalhos já dirigidos pelo festejado Oliver Stone, o mesmo de JFK - A Pergunta que Não Quer Calar, Platoon e Nascido em 4 de Julho, entre outros.

    Com mão pesada, sutileza zero e até um ranço militarista vingativo, Stone conta a história dos ataques de 11 de setembro por meio do ponto de vista de dois personagens reais: o sargento McLoughlin (Cage) e seu subordinado Will Jimeno (Michael Peña, de Crash - No Limite), policiais nova-iorquinos. O filme até começa bem. Um despertador regulado para as três e meia da manhã inicia a narrativa, mostrando o cotidiano de McLoughlin. Ele se levanta, toma banho, vai ver os quatro filhos. Sua esposa finge estar dormindo e não fala com ele, o que pressupõe que algo não vai bem com o casal. São cenas sem diálogos, emolduradas pelo silêncio da madrugada. Aos poucos, vamos acompanhando o amanhecer de outros policiais que logo estarão envolvidos na ação. É 11 de setembro de 2001, um dia como outro qualquer... Até as 9h34 da manhã.

    Rapidamente, o primeiro avião se choca com a primeira torre (a cena é apenas sugerida), a polícia é acionada e várias divisões de policiais e bombeiros entram no prédio para resgatar sobreviventes. Acontece o desabamento. Horror total. Entre vários outros, os dois personagens que comporão o fio condutor da trama ficam presos nos escombros. Até aí, As Torres Gêmeas é bastante eficiente como suspense e emoção. Porém, deste ponto em diante, percebe-se que não foi apenas a primeira torre que desabou: o filme também cai. Despenca.

    São longos minutos que se centralizam na armadilha claustrofóbica que o destino armou para McLoughlin e Jimeno, prensados entre toneladas de concreto e aço, e na angústia de seus familiares, reféns da dor e da desinformação. Em alguns momentos, há a impressão de que a história já acabou e Oliver Stone continuou filmando. Com diálogos fracos, o roteiro simplista da estreante Andréa Berloff não tem a profundidade necessária para provocar reflexões mais consistentes sobre o apaixonante tema do homem diante da morte, tampouco funciona como um thriller. Talvez sabendo disso, o experiente Stone chuta o balde e - escancaradamente - tenta manipular a platéia com alguns dos golpes mais baixos utilizados por cineastas de poucos recursos. Entre eles, as sempre chantagistas tomadas em câmera lenta e a exploração sentimental das relações entre pais e filhos. Num momento que vai dar o que falar, até Jesus Cristo aparece!

    Mas talvez o pior de tudo seja o personagem do Sargento Karnes (Michael Shannon), um Mariner que sai do interior para - contra todas as regras - ajudar nos rescaldos da tragédia. Numa das últimas cenas do filme, ele diz que o país vai precisar de muita gente boa para se "vingar" do que aconteceu. E os letreiros finais informam que o rapaz foi lutar no Iraque. Hitler perde.

    As Torres Gêmeas resgata um tipo de cinema tão piegas, antiquado e manipulador que é capaz de ganhar alguns Oscars.