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    AS TRÊS MARIAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Quem gosta de histórias contadas de maneira tradicional, clássica, dentro dos padrões realistas, deve evitar assistir ao filme As Três Marias. Já quem prefere uma narrativa ousada, estilizada e está aberto a uma nova e vibrante experiência dentro do cinema brasileiro já tem programa garantido para este final de semana: As Três Marias, o novo filme do diretor Aluizio Abranches, o mesmo de Um Copo de Cólera.

    A forma do filme fala mais alto que seu conteúdo. Basicamente, é uma história de vingança, a la faroeste. Desiludido por uma paixão não correspondida, Firmino (Carlos Vereza) manda matar o marido e os filhos de Filomena (Marieta Severo), o objeto de seu estranho amor. Mergulhada na mais profunda dor, a viúva passa dias em isolamento, planejando a terrível vingança, que deverá ser perpetrada pelas suas três filhas restantes: Maria Francisca (Julia Lemmertz), Maria Rosa (Maria Luisa Mendonça) e Maria Pia (Luiza Mariani). É nesse ponto que o filme assume um estilo arrebatador, moderno, uma mistura bem dosada de Tarantino com bang-bang à italiana e linguagem de histórias em quadrinhos. O diretor define seu trabalho como “uma fábula dark, descolada no tempo e no espaço”. Vestuário, automóveis, direção de arte, tudo parece ter vindo de algum universo paralelo, um mundo muito parecido com o nosso, mas não exatamente o nosso. A ambientação sugere sertão baiano, ou goiano... ou americano. Tanto faz. Na realidade, as filmagens ocorreram no Brejo da Madre de Deus, entre a Zona do Agreste e o Sertão de Pernambuco.

    Mesmo com tantas referências, a história é original, com roteiro dos pernambucanos Heitor Dhalia (publicitário) e Wilson Freire (poeta e escritor). A equipe técnica é de primeiríssima linha, arregimentando o que há de melhor no cinema brasileiro: direção de fotografia de Marcelo Durst (Os Matadores, Ação Entre Amigos, Estorvo, Castelo Rá-Tim-Bum), direção de arte de Bruno Schmidt e a hipnótica trilha sonora de André Abujamra, um dos pontos mais altos do filme.

    Universal e brasileiríssimo ao mesmo tempo, As Três Marias deve ser visto com olhos, ouvidos e percepção bem abertos. Qualquer tipo de preconceito deve ser deixado do lado de fora do cinema.

    8 de agosto de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br