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    AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL

    Belo e devastador, consegue combinar com destreza os elementos que compõem uma obra de cinema<br />
    Por Roberto Guerra
    16/10/2012

    O lugar-comum no cinema não está na história, mas em como se conta a história. É raro, mas vez ou outra surge um filme com enredo aparentemente batido, daqueles que nos dá a impressão de déjà-vu ao lermos a sinopse, mas capazes de nos surpreender demonstrando ser possível alcançar uma narrativa viva e criativa mesmo em terrenos explorados à exaustão. É assim com As Vantagens de ser Invisível, filme sobre as aventuras e desventuras de um jovem tímido e depressivo ingressando no ensino médio e na vida. Você já viu essa história antes? Sim, incontáveis vezes, mas não como neste longa.

    Adaptação para as telas do best-seller escrito por Stephen Chbosky, é o próprio autor que dirige a produção que tem como protagonistas os atores Logan Lerman (Efeito Borboleta), Emma Watson (a Hermione da franquia Harry Potter) e Ezra Miller (de Precisamos Falar Sobre o Kevin). São eles, todos em atuações inspiradas, que nos transportam para os tempos de colégio, para a adolescência, tenha você a idade que tiver. Mesmo ambientado na década e 80 – não há computadores ou celulares, mas jovens fazendo mixes musicais em tape decks -, As Vantagens de ser Invisível é atemporal. Não há época específica ou geração, mas a imersão no momento crucial, cheio de temeridades e incertezas da passagem para a vida adulta.

    É assim que assistimos ao filme, com a sensação de viagem no tempo, de volta ao passado, de algo familiar nos rondado. As realidades diferentes da high school americana e do colégio brasileiro desaparecem diante da capacidade da produção de transformar Charlie (Lerman), o protagonista invisível do título, em todos nós. Se não nos identificamos exatamente com seu jeito introvertido de ser, nos reconhecemos no entorno: nos amigos, no prazer de curtir a companhia de alguém, de estar inocentemente apaixonado, de experimentar o proibido, de ouvir aquela música que mexe com os sentimentos, de beijar uma boca pela primeira vez. Tudo isso faz de As Vantagens de ser Invisível um filme de núcleo emocional universal, capaz de agradar a públicos diversos.

    Charlie chega ao ensino médio sensibilizado e fechado em seu mundo. A perda de seu único amigo o fez mergulhar numa depressão, da qual pretende se livrar fazendo novas amizades, o que não parece tarefa fácil para um calouro reservado e tímido como ele. As coisas mudam quando os descolados veteranos Patrick (Miller) e Sam (Watson) abrem as portas de seu círculo de convivência para Charlie, que passa a fazer descobertas e experimentações que irão mudar sua vida definitivamente.

    O pouco que foi dito aqui sobre a trama do filme é o suficiente. Qualquer informação a mais tiraria o prazer das muitas descobertas que o longa proporciona. Aprazível e, ao mesmo tempo, cru e devastador, As Vantagens de Ser Invisível consegue combinar com destreza os muitos elementos que compõem uma obra de cinema. E desse equilíbrio entre recursos técnicos, roteiro, música e atuações, nasce um filme de momentos emocionalmente marcantes, cenas que perduram na memória e do qual começamos a sentir saudades assim que sobem os créditos.