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    AS VIRGENS SUICIDAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Cinco irmãs adolescentes - jovens, bonitas, teoricamente com tudo para serem bem sucedidas na vida - decidem se suicidar. Sem dúvida, Sofia Coppola não se preocupou nem um pouquinho em escolher um tema fácil para a sua estréia na direção cinematográfica.

    O nome de Sofia - filha do diretor Francis Ford Coppola - ainda está marcado nos corações e mentes de muitos cinéfilos de maneira bastante negativa. E não é para menos. Afinal, sua fraca interpretação como a filha de Al Pacino em O Poderoso Chefão III chegou à beira do inesquecível... no mau sentido.
    Agora porém, passando para o lado de trás das câmeras e dirigindo As Virgens Suicidas, Sofia se redime. Ousando abordar logo no seu primeiro longa um tema denso e forte - um verdadeiro soco no estômago - Sofia mostra que talento em direção cinematográfica - quem sabe - pode ser genético.

    A história é baseada no livro homônimo de Jeffrey Eugenides, e mostra cinco irmãs de classe média que convivem de forma aparentemente normal e convencional com seus pais, católicos fervorosos, numa cidade conservadora do interior. Logo no início da trama, a irmã mais nova se suicida.
    "Você não tem idade nem para saber que a vida é ruim", afirma seu psiquiatra. "E você nunca vai saber o que é ser uma garota de 13 anos", responde a menina, pouco antes da tragédia.

    Que as demais irmãs seguirão pelo mesmo caminho não é segredo nenhum. Basta ler o título do filme. O que chama a atenção no estilo de dirigir de Sofia é a maneira como ela evitou os clichês piegas, armadilhas perigosas quando o tema é a intolerância. Em nenhum momento os pais das garotas são pintados como facínoras, nem como monstros. A diretora não joga claramente os supostos "vilões" da história (Katleen Turner e James Woods, ótimos) contra a platéia. Não é óbvia; prefere a sutileza. E o resultado é envolvente: mesmo sabendo o final da história, é impossível não torcer pelas garotas. No papel da irmã mais velha, Kirsten Dunst (de Entrevista com o Vampiro) esbanja talento. E diante dos olhos da platéia atônita, toda a narrativa se encaminha para a tragédia final. Sem escândalos, calmamente, em cores pastéis, sem falsos artifícios cinematográficos. E nem por isso de forma menos perturbadora.

    Que bom que Sofia Coppola desistiu de ser atriz.


    19 de outubro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br