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    ASSASSIN'S CREED

    Parkour e boas lutas não salvam filme confuso e pretensioso
    Por Daniel Reininger
    10/01/2017

    O filme de Assassin's Creed possui alguns bons momentos de Parkour e lutas, mas os elogios terminam aí. Pode parecer implicância com obras baseadas em games, mas a realidade é que algo muito errado acontece toda vez que tentam adaptar um grande jogo. Nesse caso, o maior problema é o roteiro raso e a necessidade de apresentar conceitos demais ao mesmo tempo, para garantir aos fãs uma experiência completa, sem pensar em como desenvolver tudo isso realmente. É o famoso caso de ignorar a máxima: menos é mais.

    O longa começa com um texto explicativo com tudo que o espectador mais desavisado precisa saber sobre a guerra entre Templários, Assassinos e a obsessão de ambos pela Maçã do Éden, artefato capaz de eliminar o livre arbítrio das pessoas. Em seguida, vemos o ritual de iniciação de Aguilar no Credo, em 1492, e conhecemos seu descendente Callum Lynch, ainda um garoto em 1986, que precisa fugir após os vilões encontrarem sua família e obrigarem seu pai a matar sua mãe. Em seguida, vemos o protagonista já adulto numa prisão. E esse é basicamente todo o aprofundamento do apático personagem de Michael Fassbender.

    E o mais triste é perceber que Fassbender ainda teve algum espaço para brilhar, afinal todos os outros personagens mal passam de figurantes nunca aprofundados além de um nome, algumas falas irrelevantes e lutas. E mesmo os cientistas/vilões vividos por Marion Cotillard e Jeremy Irons mal passam de reprodutores de clichês. Ao menos os atores se esforçam para tentar entregar algo de qualidade, apesar do fraco texto.

    + Confira entrevista exclusiva com o dublê que fez o Salto da Fé no filme

    O diretor Justin Kurzel foi inteligente ao voltar a trabalhar com as estrelas de seu último projeto, Macbeth: Ambição E Guerra, ótimo filme de 2015, para criar um projeto tão pesado quanto. O detalhe é que em Assassin's Creed vemos uma luta de duas facções por um artefato mítico que pode acabar com a agressividade das pessoas de forma mágica. Ou seja, toda essa seriedade soa pretensiosa e a falta de leveza deixa a obra sem alma. Ainda mais com essa premissa.

    Ao menos, Kurzel fez um bom trabalho ao levar a ação dos jogos às telonas. Descartar a cadeira de Animus e substituí-la por um braço mecânico dinâmico faz muito mais sentido e permite a Fassbender se mover no mundo real enquanto está imerso na realidade virtual.

    As sequências durante a Inquisição espanhola são bem feitas, mas Aguilar (também interpretado por Fassbender) tem ainda menos profundidade do que Callum e o mesmo vale para seus companheiros, sobre os quais mal sabemos os nomes e por quem nada sentimos mesmo quando as coisas vão mal.

    Infelizmente, o CGI também é muito problemático, algo curioso para um filme com orçamento de US$ 125 milhões. As tomadas frenéticas não dão muito tempo para apreciarmos cenários e vistas, algo importante na franquia dos jogos, mas o pior é o exagero constante de fumaça e nuvens escondendo falhas dos efeitos, algo disfarçado pelo voo de uma águia responsável por nos apresentar as locações, mas cuja aparição só fará sentido para quem conhece o game.

    Assassin's Creed é uma bagunça e, como fã dos jogos, é triste ver algo com tanto potencial desperdiçado assim. Embora o longa capture bem alguns elementos dos jogos, como citado, não têm ideia de como lidar com outros, especialmente as questões mais fantasiosas. O ritmo truncado, as mudanças inexplicáveis nas atitudes de dois personagens importantes e o exagero de diálogos descritivos incomodam demais. Resta torcer por uma sequência e a oportunidade de ver tudo isso refeito da forma correta.