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    ATÉ QUE A SORTE NOS SEPARE

    O filme não consegue atingir aquilo que se propõe: fazer rir.
    Por Maíra Bittencourt
    02/10/2012

    Dois anos depois de ter conquistado um grande prestígio com a venda de mais de 3,5 milhões de ingressos com o longa De Pernas Pro Ar (2010), o diretor Roberto Santucci resolveu voltar à comédia e lançar Até Que a $orte Nos Separe, apostando em Leandro Hassum e Danielle Winits como o casal protagonista.

    O problema de se trazer atores de televisão para o cinema é que nem sempre eles estão preparados para a diferença na linguagem e no timing que o espectador de um filme precisa. Não adianta rechear o roteiro de piadas, se os atores não conseguem ficar à vontade em seus papéis para transmití-las durante as cenas. Talvez a “culpa” nem seja do elenco e sim da mão do roteirista, que não saiu do óbvio: piadas clichês sobre flatulências e personagens estereotipados.

    A primeira cena, que parece ter saído de um comercial de margarina, mostra um casal muito feliz, apesar de ser pobre. A grande questão é que há algum tipo de problema na dublagem (ou na captação de som) na versão mais jovem da personagem Jane (Danielle Winits) e sua voz parece não pertencer à própria atriz.

    O roteiro, apesar de ter sido baseado no livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, em nenhum momento fala sobre a mensagem que o autor Gustavo Cerbasi tentou passar em sua obra: não há nenhum tipo de lição financeira, de economia ou investimentos. Por conta disso, anunciam no site oficial do longa como sendo “livremente inspirado no best-seller”, afinal a produção não sai do senso comum de que você não pode gastar à vontade, sem nenhum controle. Entretanto, até nossas avós vivem nos dizendo isso.

    Para tentar dar um contraponto ao casal gastador, introduziram um vizinho chato, interpretado por Kiko Mascarenhas. Com toda sua metodologia rigorosa para economizar, ele acaba se tornando o extremo oposto de Tino (Hassum) e sua total falta de carisma faz com que o público não se identifique com ele, tornando sua família, e todas as cenas que a envolvem, algo chato, sem graça e extremamente artificial.

    Com personagens rasos e piadas batidas, o longa falha naquilo que se propôs desde o princípio: fazer o público rir. Com exceção de Danielle Winits, que tem alguns (pouquíssimos) bons momentos, todo o resto não funciona. Uma imensa tentativa de recriar piadas sem graça do Zorra Total no cinema. Nem as improvisações de Hassum serviram para dar algum humor a história.

    Sobre a famosa cena de Hassum parodiando Flashdance, assim como no trailer, ela não tem graça. Acaba sendo o que é: um cara obviamente acima do peso dançando, tentando fazer graça e... só. Agora, se você adora Zorra Total ou deu risada com a cena da sátira que citei, então certamente vai adorar essas piadas que todos já sabem de cor. Se não, faça como o próprio filme ensina: economize, ao menos com o dinheiro deste ingresso.