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    ATO DE CORAGEM

    Sem narrativa clara, filme é fraco sem o menor vestígio de humanidade autêntica e veracidade
    Por Roberto Guerra
    02/08/2012

    Apesar dos anos de doutrinação antiamericana nos bancos escolares, não acho os vizinhos do norte os vilões do mundo nem faço parte da turma que adora ficar falando mal dos Estados Unidos enquanto toma coca-cola. Até curto uma boa patriotada cinematográfica gringa, daquelas que, inevitavelmente, enaltecem o valor e heroísmo de suas tropas. Mas para tudo há limite e Ato de Coragem ultrapassa todos eles.

    Misto de convocação de alistamento com partida de Counter Strike, Ato de Coragem é dirigido por uma dupla de diretores novatos com experiência apenas em documentários. Não à toa, o filme perde o rumo da narrativa por vezes, parecendo em certos momentos não ter uma história e ser apenas um amontoado de cenas de batalhas e movimentação militar estrelada por militares da vida real.

    Em seus primeiros 15 minutos, o filme até que funciona. A sequência que mostra o resgate de uma agente da CIA que caiu nas mãos de terroristas é bem feita, tem boa movimentação e joga o espectador dentro da tensão de uma operação de resgate dos SEALs, a elita da Marinha norte-americana (a mesma turma que mandou Bin Laden se encontrar com suas virgens prometidas). Passado esse bom momento, no entanto, o filme entra numa espiral de decadência narrativa impressionante, onde pululam os diálogos mal elaborados, as sequências de patriotismo melodramáticas e uma irritante voz em off que conduz a trama.

    Após a missão de resgate da agente da CIA, o grupo descobre um complicado plano de terrorismo internacional, no qual estão também envolvidos contrabandista que introduzirem em território americano um grupo de jihadistas suicidas que irão se explodir com um novo tipo de colete-bomba com bolinhas de porcelana (invisíveis aos detectores de metais). As cenas de ação, realizadas por soldados verdadeiros e utilizando armas e, muitas vezes, munição real, são bem-realizadas. O problema é que neste ponto já não há uma história sendo contada e não sabemos mais quem é quem.

    Nas mãos certas, Atos de Coragem poderia até oferecer um olhar legitimamente interessante da vida privada e profissional dos super-homens que formam uma das tropas de elite mais eficiente do mundo. Não foi o que ocorreu. O que temos aqui é um filme de ação fraco, sem o menor vestígio de humanidade autêntica, narrativa clara e veracidade. Os SEALs da vida real conseguiram parecer menos autênticos no filme do que os militares da ficção.