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    ATO TERRORISTA

    Por Celso Sabadin
    12/01/2007

    As primeiras imagens sufocam. Câmera na mão, planos claustrofóbicos, fotografia escura, textura granulada. Quase não há trilha sonora. Quanto mais a trama avança, mais se percebe que a opção estética pelo desesperador permanecerá por toda a projeção. Uma opção, aliás, que se mostra das mais acertadas: Ato Terrorista é um filme sobre a dúvida, a paranóia, o medo.

    O roteiro dos estreantes Ayad Akhtar (também ator principal do filme) e Tom Glynn, feito a seis mãos com o diretor Joseph Castelo, mostra a trajetória de Hassan, um paquistanês seqüestrado em Paris e torturado durante três anos sob suspeita de praticar atos terroristas. Ao ser solto, ele viaja a Nova York, onde se hospeda na casa de um antigo amigo de infância, também paquistanês. É lá que Hassan começa a planejar o ato terrorista ao qual se refere o título do filme.

    Porém, ao contrário do que este mesmo título possa sugerir, não é um filme de ação. A trama se centraliza nas profundas contradições entre Ocidente e Oriente, principalmente nas feridas entre americanos e muçulmanos, cada vez mais infeccionadas após o 11 de setembro. Nos EUA, Hassan toma contato com a família do amigo Sayeed (o ator indiano Firdous Bamji), já adaptada ao american way of life, ainda que com restrições. E percebe que, para cumprir os desígnios de Alá, ele deverá ser implacável.

    As religiões têm o direito de mandar matar? Os governos têm o direito de invadir e desalojar populações inteiras? Quais os limites da vingança? Obviamente, o filme não pretende resolver nenhuma dessas insolúveis dicotomias, mas é talentoso ao colocar no coração e na mente de seu protagonista questões tão pertinentes. E é instigante ao deixar para a cena final um incômodo e enigmático elo com a nova geração.

    Provocativo, Ato Terrorista tem recebido importantes indicações nas principais premiações do cinema independente americano.