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    ATOS QUE DESAFIAM A MORTE

    Por Celso Sabadin
    28/03/2008

    A magia está na moda. Pelo menos no cinema. Depois de O Ilusionista (com Edward Norton) e O Grande Truque (com Hugh Jackman), chega à tela grande mais um filme que explora o místico e fascinante universo dos mágicos e adivinhos: Atos que Desfiam a Morte, uma co-produção Austrália/ Inglaterra que mistura personagens reais e fictícios.

    Uma belíssima reconstituição de época situa a ação no início do século 20, momento em que o ilusionista Harry Houdini (Guy Pearce, de Amnésia) vive dias de celebridade mundial. Por onde passa, ele arregimenta multidões de fãs dispostos a acompanhar suas inacreditáveis escapadas de cofres, correntes, tanques de água e similares.

    A próxima parada de sua turnê mundial será Edimburgo, na Escócia, cidade onde é ansiosamente esperado por duas golpistas profissionais que enganam os incautos com apresentações de falsa magia: a bela Mary (Catherine Zeta-Jones) e sua filha Benji (Saoirse Ronan, a revelação de Desejo e Reparação). A dupla pretende descobrir os segredos de Houdini na tentativa de vencer um desafio proposto mundialmente pelo próprio mágico: adivinhar as últimas palavras que a mãe de Houdini pronunciou em seu leito de morte. Quem vencer, leva uma grande soma em dinheiro.

    Por meio desta trama de crenças e enganos, o roteiro na verdade propõe uma história de amor. Imagina um Houdini perturbado pela morte da mãe e pela sua incapacidade de se entregar às paixões. Um personagem preso, mais do que pelas suas correntes e cadeados, pelos seus próprios medos. Por outro lado, Mary e a filha Benji - contrariamente a Houdini, personagens fictícios - são duas mulheres que, pelas circunstâncias da vida, se viram obrigadas a abandonar a ética e a honestidade em prol da sobrevivência. Elas mentem, enganam e roubam sonhos em troca do sustento nosso de cada dia. O preço a pagar é a perda da inocência, da intuição, da subjetividade poética que todos temos, mas que costumamos abandonar em troca das falsas recompensas materiais do mundo objetivo.

    A diretora australiana Gillian Armstrong (Oscar & Lucinda) desenvolve estas (e outras) leituras e sub-leituras dentro de seu já tradicional estilo elegante e preciso. Clássico, até certo ponto majestoso, com muito requinte visual, e sem nenhuma pretensão de reinventar o cinema.

    Uma bela história de amor e magia. Não necessariamente nesta ordem.