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    ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    O tenente Chris Burnett (Owen Wilson, de Entrando Numa Fria) é um grande aviador naval, mas sente falta da emoção de pilotar em combate os caças F/A-18 Superhornet, sua especialidade. Quem o impede de entrar em ação é o almirante Reigart (o veterano Gene Hackman). Ele acredita que Burnett ainda não aprendeu o que realmente significa ser um soldado.

    Porém, durante uma missão de reconhecimento, Burnett é atingido e detido atrás das linhas inimigas. Ele luta para sobreviver a uma incansável perseguição da polícia secreta e a várias tropas hostis. À medida que o tempo passa, Reigart decide deixar de lado as regras do mundo rigidamente controlado em que se acostumou a viver e arrisca a sua carreira numa missão de resgate desesperado para salvar a vida de um soldado.

    Militarismo à americana repleto de lances que a cultura dos Estados Unidos convencionou chamar de “heroísmo” ou “honra”. Dentro da tradição bélica daquele país vale tudo para defender a soberania e o imperialismo nacionais. E se o cinema ajuda os militares, o inverso também acontece: pela primeira vez foram filmadas cenas dos caças F/A-18 Superhornet, que ganham assim um imenso comercial de mais de uma hora e meia de duração. Autoridades dos EUA também facilitaram o acesso do ator Owen Wilson às bases militares, onde viveu entre pilotos, passou por treinamento de sobrevivência e aprendeu tudo sobre o Superhornet.

    As locações foram feitas na Eslovênia, perto de Bratislava, onde estavam baseados o elenco e a equipe. As seqüências de ação foram rodadas em locações remotas e isoladas, tendo como pano de fundo os Montes Cárpatos. A fictícia cidade de Hac foi construída nos mínimos detalhes, incluindo até um “lago” artificial sobre uma plataforma pintada com tinta reflexiva e coberta com cera para dar a aparência de gelo. Os cenários interiores do porta-aviões ocuparam três estúdios do Koliba Studios, em Bratislava. Trata-se de um labirinto tão elaborado que foi necessária a elaboração de mapas da construção para que a equipe não se perdesse. Os cinegrafistas tiveram também acesso a porta-aviões da Marinha dos EUA para que fossem realizadas as cenas de decolagem e pouso de aviões em convés.

    Tudo isso consumiu um orçamento total de US$ 40 milhões e resultou em mais um filme belicista produzido no país mais bélico do mundo.

    E como no cinema nada se cria nada se perde, uma estranha coincidência marca Atrás das Linhas Inimigas: o filme BAT 21 – Missão no Inferno, de 1988, também mostrava um comandante orientando um piloto perdido através do rádio. Quem fazia o papel do piloto era Gene Hackman. E a frase publicitária do cartaz do filme dizia: “Preso atrás das linhas inimigas”.

    16 de janeiro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br