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    AVE, CÉSAR!

    Longa explora sátira sem parecer comédia "pastelão"
    Por Iara Vasconcelos
    13/04/2016
    8/10

    AVE, CÉSAR!

    Comédia

    Se tem uma coisa que os irmãos Coen conseguem fazer muito bem é transitar entre os suspenses cheios de tensão e violência, como em Onde Os Fracos Não Têm Vez e Bravura Indômita, até as comédias satíricas, a exemplo do memorável O Grande Lebowski.

    Em Ave, César!, a dupla opta pelo segundo modelo, ao parodiar a era de ouro de Hollywood, seus astros belos e problemáticos, o assédio dos tablóides e as tentativas dos grandes estúdios, que tentam esconder os "podres" dos queridinhos da américa.

    A trama acompanha um dia na vida de Edward Mannix (Josh Brolin), assistente do Capitol Pictures - também citado no premiado Barton Fink, Delírios De Hollywood - que tem a missão de proteger a imagem e a integridade física dos contratados do estúdio. Ele precisa correr contra o tempo após Baird Whitlock (George Clooney), protagonista da superprodução biblíca Hail, Cesar, ser sequestrado por um grupo de escritores comunistas, que pedem maior valorização de seus trabalhos pela indústria do cinema. Uma história tão maluca só poderia dar certo sob o comando da dupla de cineastas.

    Os Coen não hesitam em abusar dos estereótipos e exageros, o que torna a sátira óbvia, mas sem parecer "pastelão". No universo de Ave, César!, os comunistas usam bigode, óculos de aro preto e se chamam de companheiros. O astro das produções de Faroeste é um bruto, quase iletrado. E a principal estrela do estúdio é um boêmio sem regras.

    Assim como o vencedor do Oscar 2015 Birdman Ou A Inesperada Virtude Da Ignorância, Ave, César! mescla a história central com os bastidores das produções, quase que de forma documental. Mas sua maior fonte é, de fato, O Grande Lebowski. Se você gosta desse filme em questão, será muito difícil não se agradar com Ave, César!, principalmente pelos excelentes números musicais.

    No entanto, o filme peca em não explorar mais personagens secundários, como a atriz vivida por Scarlett Johansson, que está grávida e não sabe quem é o pai, um escândalo para a moral da época. Para abafar o caso, o estúdio pretende entregar o filho dela para outra pessoa e assim fazê-la adotar a criança meses depois. Infelizmente, o potencial dessa subtrama é desperdiçado e não ganha nenhum destaque.

    Ave, César! consegue conduzir sua crítica à Hollywood de forma inteligente e precisa. Em uma tacada só, os Coen desmistificam o universo do glamour e tiram sarro da indústria que eles próprios fazem parte. Um feito que não é para qualquer um.