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    BACURAU

    Por Daniel Reininger
    27/08/2019

    Kleber Mendonça Filho, dessa vez ao lado de Juliano Dornelles, abandona a calma reflexiva de seus filmes anteriores (O Som Ao Redor e Aquarius) para criar um perturbador conto sobre violência, opressão e esquecimento. Situado no sertão brasileiro, é um grito de desafio contra a atual situação do Brasil.

    O vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019 completa a sua crítica ao atual presidente nos créditos finais, quando uma mensagem aponta que a produção criou 800 empregos. Uma das críticas recorrentes de Bolsonaro aos gastos com a cultura.

    Na trama, Bacurau é um pequeno povoado do sertão brasileiro, que dá adeus a Dona Carmelita, mulher forte e querida, falecida aos 94 anos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a comunidade não consta mais nos mapas e as coisas começam a ficar cada vez mais estranhas e violentas.

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    Mistura de drama, faroeste e ficção científica, o longa mostra um vilarejo do interior pernambucano, esquecido pelos seus governantes, mas ameaçado por forças externas, ambientado num Brasil ainda mais desigual e desumano em um futuro próximo e opressor. É um futuro sombrio, mas também traz uma história muito atual. Até por isso é capaz de levantar questões importantes para o país nesse momento de insegurança.

    Não há dúvidas de que o filme é uma crítica pesada e chega bem em meio a ameaças do governo federal de censurar projetos apoiados pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), órgão que o presidente Jair Bolsonaro já ameaçou extinguir. Afinal, cultura é uma afronta para os opressores.

    Porém a crítica vem de antes, é também sobre o fato do Brasil não enxergar seus oprimidos, não querer enxergar suas dificuldades e não querer abrir mão da situação de colônia diante do imperialismo.

    Bacurau é um longa de ação capaz de nos remeter a filmes de faroeste do Clint Eastwood. É um filme provocador, estranho, incômodo, porém prende a atenção do começo ao fim. O elenco é incrível, tanto os brasileiros, quanto estrangeiros e também os moradores locais do povoado de Barras, onde o filme foi rodado. A veracidade e o realismo são extremante importantes para essa obra funcionar.

    O longa é estranho, mas num bom sentido. É violento, porém com sentido. É opressivo, de forma intencional, e é uma crítica importante nesse momento. É um filme de uma qualidade técnica incrível e uma história cativante. Poderia ser um pouco mais curto, o que deixaria a narrativa mais fluída, mas ainda assim Bacurau é um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos.