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    BAD BOYS PARA SEMPRE

    Por Alexandre Dias
    30/01/2020

    O retorno de Bad Boys com o elenco original não é um fato extremamente surpreendente. Uma trama policial com atores carismáticos que transitam entre o humor e a ação é uma fórmula certeira, especialmente em meio a uma Hollywood de super-heróis e mega produções com orçamentos absurdos. Porém, a entrada da dupla Adil El Arbi e Bilall Fallah na direção no lugar de Michael Bay, além do hiato da franquia por 17 anos, geraram um certo receio do que esperar para o novo longa.

    Salvo os excessos, Bay tem algumas qualidades bem específicas - especialmente na ação - que são totalmente sintonizadas com o que Bad Boys tem a oferecer. O retorno dele provavelmente daria uma continuidade exata das duas primeiras produções, o que não ocorreu nessa terceira. No final, os dois novos cineastas trouxeram um frescor para a marca sem necessariamente se arriscarem, estratégia eficiente e que ainda abriu espaço para um tom nostálgico.

    Na trama, Mike Lowrey e Marcus Burnett já fizeram história nas suas longevas carreiras policiais, mas levam um susto com um ataque de um cartel e precisam se unir contra esse grupo. O roteiro, como todos os antecessores, é simples, apesar de investir em ganchos batidos demais até para a franquia. Ao mesmo tempo, o texto e os diretores utilizam essa característica a favor deles por meio do humor; há quase uma autorreferência nas piadas, tornando algo brega em cômico e, consequentemente, divertido.

    O expoente máximo deste fator é Martin Lawrence. As habilidades de comediante do ator sempre foram bem utilizadas, mas em Bad Boys Para Sempre ele praticamente é um ponto de partida do humor. Essa tática foi tão bem usufruída que deixou Will Smith no papel de herói clássico, posição a qual ele já está habituado a fazer em seus projetos. Dessa forma, a condução da ação é muito mais próxima da estrutura de um John Wick do que um Starsky e Hutch.

    El Arbi e Fallah imprimiram uma identidade ao projeto com esta opção de construção dos tiroteios e perseguições. A introdução do esquadrão tático liderado por Rita (Paola Nuñez) ajuda tanto no objetivo de dinamizar esse caráter militar como o de auxiliar a comédia de forma única. Os coadjuvantes nos longas originais contribuíam para piadas de reação da dupla protagonista, equanto nesse caso o grupo de jovens funciona de maneira complementar aos dois policiais, pois trazem a velha performance do choque geracional.

    Com isso, não só o humor foi um caminho como a homenagem também. As participações especiais são o maior exemplo do respeito que os cineastas prestaram à saga. Uma em específica é simplesmente espetacular, pois faz parte da trama então não é gratuita. Isso sem mencionar o chefe do departamento de polícia encarnado por Joe Pantoliano; percebe-se que a gritaria e fúria dele que rendiam momentos muito engraçados continuam assim, porém mais voltados para uma memória afetiva, afinal, o personagem condiz totalmente com a veia cômica de Michael Bay.

    Bad Boys Para Sempre surpreende sem surpreender. O filme joga no seguro, mas com uma roupagem inédita, que consegue tirar o melhor da franquia do seu jeito. Os fãs de longa data vão ter esbanjar alguns sorrisos a mais do que os iniciantes pelas referências, porém esses últimos não deixarão de ser cativados pela interação carismática de Smith e Lawrence em situações divertidas e empolgantes.