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    BALADA DO AMOR E DO ÓDIO

    Ambientado na ditadura espanhola, filme de Álex de la Iglesia não faz concessões comerciais<br />
    Por Celso Sabadin
    08/08/2011

    Teremos num curto espaço de tempo pelo menos dois filmes onde palhaços de circo são os protagonistas: O Palhaço, de Selton Mello, previsto para 28 de outubro, e Balada do Amor e do Ódio, agora para o final de julho. Tirando o fato de ambos serem rodados no ambiente circense, nada mais os une. Enquanto o filme de Selton é terno e afetivo, o do basco Álex de la Iglesia é cruel e provocativo.

    E não poderia ser diferente. Quem já viu, por exemplo, Perdita Durango, A Comunidade ou Crime Ferpeito (grafado dessa maneira mesmo), sabe que De la Iglesia é um cineasta visceral, de poucas concessões comerciais, e chegado a soluções extremadas.

    Em seu novo filme, ele roteiriza e dirige a história de Javier (Carlos Areces), um palhaço triste, que teima em trabalhar no circo, mesmo sabendo que não tem nenhum talento para isso. Ele entra em rota de colisão com outro palhaço, Sergio (Antonio de La Torre, de Lope), pelo amor da bela trapezista Natalia (Carolina Bang). Porém, Sérgio é um psicopata dos mais crueis, que comanda seu circo e sua companheira com extrema violência. Que o confronto entre os dois será inevitável, isso é fácil de perceber. Difícil é prever a dimensão radical de sentimentos e ações exacerbadas em que Javier e Sergio se envolverão.

    Uma violência que – é importante dizer – nada tem de gratuita. Com sua alegoria cruel e estilizada, De la Iglesia traça um perturbador painel metafórico da Espanha da era do ditador Francisco Franco (1938-73), então um país comandado por um palhaço psicopata. A ação do filme se inicia nos primeiros anos da ditadura franquista e, não por acaso, tem seu ápice final no gigantesco crucifixo do Valle de los Caídos, imponente monumento que o caudilho mandou construir para si próprio.

    Balada do Amor e do Ódio é o retrato da avassaladora destruição moral que décadas de ditadura podem ocasionar sobre toda uma sociedade. Um filme denso, forte e instigante que foi indicado a 16 Goya (ganhou dois) e que levou os prêmios de direção e roteiro no Festival de Veneza.

    O prestigiado portal IMDB, se ainda não corrigiu, o classifica como “comédia”. Que palhaçada!