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    BÁRBARA

    Com desfecho previsível, longa não decepciona, no entanto também não consegue aproximar o espectador<br />
    Por Paulo Cintra
    08/01/2013

    Barbara é um retrato cru do regime, dito socialista, que vigorou com mão de ferro por muitos anos na Alemanha Oriental. O longa foi bem recebido pela crítica internacional e levou para casa o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim 2012.

    Quem assina a obra é Christian Petzold, conhecido por usar mulheres como protagonistas em histórias fortes e politizadas. Novamente, não foge à regra ao escolher uma velha conhecida para viver a personagem que dá nome ao filme: a atriz Nina Hoss - ambos já haviam trabalhado juntos em Yella (2007).

    Ela pode ser considerada um dos pontos altos da produção. Ao melhor estilo “mulher alemã”, extremamente fria com desconhecidos, mas de coração forte e combativo. A atriz encarnou perfeitamente, seja no psicológico ou no físico, uma brava médica do interior que tenta suavizar o sofrimento dos que vivem nos campos de trabalho forçado. Paralelamente, planeja sua fuga para a liberdade, neste caso um sonho capitalista.

    Destaque também para a atuação de Ronald Zehrfeld, ator do tipo galã que vive um médico da capital enviado ao campo para ajudar o governo a controlar possíveis ameaças contra o regime “socialista”. Ele é quem dá ritmo e cor ao drama, com um humor comedido, tirando parte da monotonia do enredo.

    No roteiro existem algumas referências interessantes. Os fãs de George Orwell poderão encontrar similaridades com a obra 1984, seja pelos cuidados em esconder certas atitudes do Grande Irmão - neste caso o Governo ditatorial - ou pelas cenas em que o sexo é exposto de maneira fria e rápida pela protagonista, lembrando a Liga Juvenil Antissexo do livro.

    Vale também reparar nos detalhes para encontrar outras referências. No consultório do Dr. André, personagem de Zehrfeld, existe um globo ocular estilizado que é a reprodução exata de uma das câmeras de espionagem descrita na obra literária. Caso fique difícil visualizar é só lembrar daquele robozinho de apenas um olho que vive nas vinhetas do Big Brother Brasil.

    Apesar destas particularidades, da boa direção e da dupla de protagonistas estarem acima da média, a história não empolga. Talvez pela frieza do recorte escolhido ou por alguns fatos mal explicados. O ponto central é que Barbara não é um filme marcante.

    Com desfecho previsível desde a última meia-hora de projeção, o longa não decepciona, no entanto também não consegue se aproximar do espectador. Faltam diversos elementos, principalmente um elenco de apoio mais carismático. A avaliação final é positiva, apesar de restrita, já que apenas os fãs de drama devem se aventurar por aqui.