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    BASTARDOS

    Em clima de noir, thriller tem história desinteressante
    Por Roberto Guerra
    16/10/2013

    Uma ambulância aproxima-se de um corpo estendido no chão. Uma jovem mulher vagueia nua pela rua calçando apenas sapatos altos. Outra chora a morte do marido. Os primeiros minutos de Bastardos apresentam cenas sem aparente conexão e nenhum contexto explícito. É aos poucos que as peças desse thriller com pegada noir começam a se encaixar para o espectador.

    Surge então o protagonista, Marco (Vincent Lindon), marinheiro que volta pra casa para apoiar a irmã abalada com a perda do marido que suicidou-se. Investigando as circunstancias da morte, descobre que a irmã arruinou o negócio da família e sua sobrinha Justine (Lola Créton) pode estar sendo vítima de uma rede obscura de prostituição.

    Paralelamente, Marco envolve-se com a ex-mulher do homem que supostamente causou todos esses problemas. Ela é a bela e solitária Raphaëlle (Chiara Mastroianni), que vive sozinha com o filho pequeno. A diretora e roteirista Claire Denis desenvolve então uma trama intricada e obscura que percebemos ao logo da projeção ser desnecessariamente confusa, principalmente quando chegamos a seu desfecho.

    A ambientação de Bastardos é ótima: fotografia e cenários mergulham o espectador na obscuridade proposta pelo enredo e contribuem para reforçar a ambiguidade dos personagens. O trabalho de montagem está alinhado ao propósito do filme de levar o espectador a experimentar a mesma desorientação de Marco, que vai colhendo fragmentos aqui e ali para entender a complexidade dos acontecimentos.

    Com o passar do tempo, no entanto, começa a ficar evidente que Claire Denis vai se perdendo na condução da história, que parece desnecessariamente confusa. Algumas subtramas não têm explicação convincente e poderiam ser simplesmente descartadas sem prejuízo do conjunto. O desconforto e o clima enigmático são sustentados mais por artifícios técnicos e narrativos do que pela relevância da história.

    É inegável que a diretora consegue manter um fluxo de material perturbador em seu filme, o que é essencial a um thriller. Temas como exploração sexual, poder financeiro e diferenças de classes são trabalhados com sutileza e emergem em bem conduzidas cenas, alguma de fato muito boas. Tais méritos, no entanto, não são suficientes para disfarçar uma história fraca, desinteressante, que termina por ser tediosa em dado momento.