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    BATER OU CORRER

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Alguém precisa fazer os filmes que vão passar nas “Sessões da Tarde” do futuro. Talvez esta tenha sido a idéia da Roger Birnbaum Productions, da Spyglass Entertainment (a mesma de O Sexto Sentido), da Touchstone Pictures (leia-se Disney) e da Jackie Chan Films ao unirem suas forças para realizar Bater ou Correr.
    O filme se anuncia como uma paródia aos melhores westerns de todos os tempos, principalmente a Matar ou Morrer (seu título original, Shanghai Noon, é uma brincadeira com High Noon). A promessa, porém, não se cumpre. Abrindo mão de parodiar cenas clássicas que talvez o público jovem não identificasse, Bater ou Correr opta pelo humor simplório, quase pastelão, com sabor de Sessão da Tarde ou mesmo de Os Três Patetas.

    A história de Miles Milar e Alfred Gough (que também escreveram Máquina Mortífera 4) é ambientada no final do século passado. Tudo começa na China, onde o guarda imperial Chon Wang (o astro oriental Jackie Chan) testemunha o seqüestro da princesa Pei Pei (Lucy Liu, do seriado Ally McBeal). Fiel ao Império, Chon se oferece como voluntário para viajar até os EUA, para onde a princesa foi levada, para dali tentar resgatá-la. Mas para isso ele vai ter de enfrentar assaltantes de trem, bandidos, pistoleiros, índios, e todos os clichês dos antigos faroestes.
    Rodado com um respeitável orçamento de US$ 55 milhões, Bater ou Correr tem um invejável nível de acabamento técnico. Da caprichada fotografia à vibrante trilha sonora, do rico figurino às belas locações na região das Rochosas canadenses, tudo tem sabor de superprodução. Porém, como acontece muito no cinema americano, faltou um bom roteiro. Faltaram, principalmente, as boas piadas – indispensáveis para um filme que se propõe a ser uma comédia – e as situações satíricas inteligentes. Batizar o vilão de Van Cleef (alusão a Lee Van Cleef, o eterno bandidão dos velhos faroestes) e lembrar que o nome Chow Wang soa parecido com John Wayne é muito, muito pouco.
    Jackie Chan – é claro – continua batendo muito, apanhando bastante, e mesmo aos 46 anos permanece insuperável nas suas coreografias que misturam artes marciais com comicidade. Mas todo o seu jogo de pernas e braços é insuficiente para manter o interesse do filme durante os 110 minutos de projeção.
    Bater ou Correr dá saudades de Matar ou Correr, antiga produção da Atlântida que também satirizou os clássicos westerns. Entre Jackie Chan e Oscarito, eu ainda prefiro o segundo.
    05 de setembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, e do Canal 21.