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    BATTLESHIP - A BATALHA DOS MARES

    Filme tem personagem rasos e tolos que fica difícil acreditar que seremos salvos por eles <br />
    Por Roberto Guerra
    12/05/2012

    Existem duas maneiras de prender a atenção dos espectadores numa sessão de cinema por duas horas. Ou se segue o método tradicional, meio fora de moda hoje em dia, de contar uma boa história com personagens interessantes, ou se faz muito barulho. Neste último caso, conta-se com a mãozinha providencial dos modernos sistemas de som dos multiplexes. Battleship – A Batalha dos Mares se enquadra neste último caso: uma bobagem repleta de clichês e diálogos tolos que mantém seus sentidos entorpecidos à força de muita reverberação.

    Não dava para esperar coisa melhor. A produção é dirigida por Peter Berg, o mesmo diretor de obras "relevantes" como Hancock, Bem-Vindo à Selva e O Reino. Se não bastasse, o marketing do filme o anuncia como a nova empreitada dos produtores de Transformers, como se isso fosse motivo de orgulho.

    Não à toa A Batalha dos Mares é o que é: uma perda de tempo sem nada a acrescentar. A trama, ou a falta dela, fala de uns alienígenas que resolvem responder a uma mensagem humana enviada ao espaço com fogo. Chegam à Terra botando para quebrar, com o objetivo de assumir o controle e nos despejar do planeta. Para salvar o mundo do seu fatídico fim, o arremedo de roteiro de Erich e Jon Hoeber empurra goela abaixo do público uma série de personagem tão rasos e tolos que fica difícil de acreditar que seremos salvos por eles.

    Neste quesito quem se destaca é o mocinho da história, o tenente Hopper (Taylor Kitsch, de John Carter). Na verdade, até agora não sei qual é sua patente de fato. Num determinado momento do filme é primeiro-tenente, em outro é capitão de corveta, ou seja, duas patentes acima. Mas nem vou me ater aos furos que o filme dá nesta área militar porque daria para encher uma página. Para se ter uma ideia, por exemplo, o navio do herói é um contratorpedeiro, embarcação militar guarnecida por uns quinhentos homens em média. No filme parece que a tripulação não tem mais de 20 militares de tão mal feita que é a ambientação.

    Como o longa segue à risca a cartilha dos lugares-comuns e estereótipos, temos como o alvo romântico do tenente-capitão Hopper a modelo Brooklyn Decker, de beleza inversamente proporcional a seu talento de atriz. E olha que a mulher é, de fato, muito bonita. Ela é a filha do almirante Shane, interpretado por Liam Neeson, que não sei responder o que faz nesse filme. A cena na qual o casal se conhece, que abre o longa, é talvez a coisa mais constrangedora e nosense que vi nas telas nos últimos anos.

    Tenho de admitir que o filme me fez rir algumas vezes, mas não exatamente nos momentos em que tentou ser engraçado. A risada veio com alguns diálogos surreais e lamentáveis. Como não rir quando o mocinho, diante do ataque alienígena que já afundou duas embarcações da Marinha, matou seu irmão e está prestes a fazer repousar no fundo do mar seu próprio navio, diz: “Estou com um mau pressentimento”. Hã? Não falta nem aquele clichê batido dos dois militares na iminência de uma ação suicida: “Foi uma honra lutar com você”.

    A cantora Rihanna faz uma ponta no longa como uma sargento, mas nem dá para avaliá-la porque pouco faz ou tem a dizer. Os efeitos especiais são muito bons, como de hábito, mas não capazes de disfarçar a história sem estofo. Deve agradar o público adolescente acostumado a ouvir seus ipods no volume máximo, mas dificilmente convencerá um público mais adulto que já anda de saco cheio de ver mais do mesmo.