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    BE COOL - O OUTRO NOME DO JOGO

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Em 1995, John Travolta estrelou O Nome do Jogo, longa no qual vivia o mafioso Chilli Palmer, que resolve entrar para o mundo não menos escrupuloso do cinema. Dez anos depois, Palmer volta às telonas em Be Cool - O Outro Nome do Jogo. O personagem, cansado do cinema, resolve se enveredar para um não mais honesto negócio relacionado ao entretenimento: a indústria fonográfica.

    Chilli ainda é aquele cara descolado do primeiro filme. Por isso, trafega sem dificuldades entre bandidos e artistas, tratando-os da mesma forma, e é exatamente esse o sucesso desse ex-mafioso no mundo do entretenimento. Já interessado em mudar de ramo, procura Tommy Athens (James Woods), dono de uma gravadora, mas não tem tempo para falar de negócios, já que o amigo é assassinado pela máfia russa. Nem isso é capaz de tirar Chilli do sério. Sem nem mesmo amassar o terno muito bem cortado, o protagonista procura a bela Edie (Uma Thurman), a ex-groupie que hoje é viúva de Tommy e dona da gravadora.

    Afundada em dívidas, Edie resolve seguir os conselhos de Chilli e investir em uma cantora nova: Linda Moon (Christina Milian). Mais do que finalmente entrar na indústria musical, Chili compra briga não somente com o grupo que assassinou seu amigo - liderado por um baixinho mal-encarado que usa uma peruca muito mal feita -, mas também com os rappers para quem Tommy devia US$ 300 mil e, também, os donos do contrato de Linda - Raji (Vince Vaughn), um branco bobo que fala como se fosse negro, e Nick Carr (Harvey Keitel).

    Be Cool - O Outro Nome do Jogo é uma comédia repleta de clichês: o protagonista descolado, a ex-groupie boazinha que se deu bem, os bandidos-rappers que usam as calças largas e colares pesados, o vilão que é mais engraçado do que malvado e o guarda-costas gay. Por mais que não traga nada de novo, todos esses elementos do filme são capazes de, no mínimo, tirar alguns sorrisos do espectador. John Travolta é cool, e isso é, mais do que indiscutível: é indispensável para a produção. Como já foi provado em Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994), é par perfeito da sempre linda Uma Thurman. No meio de tantas auto-referências e homenagens, há uma cena que se destaca em Be Cool - O Outro Nome do Jogo: quando John e Uma dançam, referência direta à famosa cena do filme dirigido por Tarantino que trouxe os dois atores juntos.

    A dança, ao contrário da primeira, não é empolgante, assim como o filme. Por mais que seja cool e tenha ótimas participações, Be Cool - O Outro Nome do Jogo não empolga tanto quanto promete exatamente por algumas cenas constrangedoras, como as pontas de Steven Tyler (vocalista da banda de rock-and-roll Aerosmith) e do também produtor do filme Danny De Vito que, apesar de ser ótimo, chega a causar calafrios no espectador em uma desagradável cena de beijo com Anna-Nicole Smith (cuja profissão é qualquer coisa, exceto atriz). Outro momento constrangedor é The Rock como um aspirante a ator gay, mas tenta fazer pose de machão. Por que um segurança gay tem de ser estereotipado? Por mais que se trate de uma comédia, não é mais necessário fazer esse tipo de piada - que nem tem tanta graça, para falar a verdade.

    Ao mesmo tempo, Be Cool - O Outro Nome do Jogo tem ótimas cenas e auto-referências. Essa mistura de bandidagem com a indústria do entretenimento e, claro, o protagonista que se assemelha a um super-herói que usa sua lábia ao invés dos superpoderes faz com que a produção se torne divertida. Ela não quer levantar questão nenhuma, nem fazer uma crítica à indústria do entretenimento, mas diverte.