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    BEL AMI - O SEDUTOR

    Raso dramaticamente, longa parece-se mais com uma novela televisiva sem ressonância emocional<br />
    Por Roberto Guerra
    31/07/2012

    Não foi dessa vez que Robert Pattinson conseguiu provar que funciona num filme que não tenham as palavras “crepúsculo” e “saga” no título. Em Bel Ami – O Sedutor ele até que se esforça, mas gasta tanta energia querendo ser sutil que o resultado é exatamente o contrário.

    Pattinson parece ainda não estar confiante o suficiente para fazer menos diante da câmera. Nos close-ups (e são muitos) há expressões sobrando: a sobrancelha que se levanta, a narina que se expande, um tique no canto da boca, a contração de um olho. É como se vestisse o personagem em vez de incorporá-lo - e o traje parece desconfortável. Todos esses maneirismos exagerados ganham ainda mais evidência quando vemos seu rosto ampliado centenas de vezes na tela.

    Dirigidos pelos cineastas de primeira viagem Declan Donnellan e Nick Ormerod, o longa é uma adaptação do famoso romance de Guy de Maupassant sobre o ex-soldado francês Georges Duroy (Pattinson), que retorna a Paris da Belle Époque depois de três anos na Argélia. Contando moedas para viver, encontra casualmente um ex-companheiro de campanha, e agora editor de jornal, Charles Forestier (Philip Glenister), que lhe abre as portas da alta sociedade parisiense.

    Convidado para jantar na casa do colega, encontra pela primeira vez as três mulheres que irão mudar sua vida: Madeleine (Uma Thurman), esposa de Forestier, que e o ajuda a conseguir um emprego no jornal do marido; Clotilde (Christina Ricci), jovem com quem Georges começa um caso; e a mais velha Madame Rousset (Kristin Scott Thomas), dama com grande influência na sociedade parisiense da época. Usando de seu charme e poder de conquista, o ambicioso Georges se aproveitará da devoção amorosa dessas três mulheres para galgar a alta sociedade da capital francesa.

    O mau resultado do filme não pode ser colocado na conta de Pattinson. Sim, ele está longe de convencer como um sedutor capaz de conquistar mais do que as adolescentes deslumbradas, mas o roteiro também não contribui para que possa surgir uma definição para o espectador sobre quem de fato é Georges. Ele tem consciência do que está fazendo ou é apenas um rapaz bonito sendo manipulado por todos à sua volta? Até o fim do filme essa pergunta fica sem resposta e, quando finalmente descobrimos quem de fato é, não nos convencemos.

    Bel Ami é raso dramaticamente e parece-se mais com uma novela televisiva. Não tem ressonância emocional o suficiente para um filme. Há também um subtrama política que nada acrescenta e que dispersa a atenção do espectador a troco de nada. A boa cenografia e os figurinos luxuosos não são capazes de esconder que o filme não consegue captar com precisão a essencial do romance que lhe deu origem. Soma-se a isso uma direção tacanha que deixa o espectador à margem dos personagens e suas realidades.

    É interessante notar que o personagem de Pattinson lembra muito as pseudocelebridades modernas, que buscam ascender ao topo do mundo artístico sem, no entanto, demostrarem talento para tal. É irônico notar que próprio ator vive situação semelhante: se esforçando para mostrar ser mais do que o Edward Cullen de Crepúsculo, mas dandos provas do contrário em filmes como Bel Ami.