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    BELAIR

    Resgatada neste documentário, produtora de Bressane e Sganzerla foi a maior contestação da história do cinema brasileiro<br />
    Por Sérgio Alpendre
    07/06/2011

    Uma das maiores virtudes de Belair é deixar claro que, no curto período de existência da produtora (de fevereiro a maio de 1970), tivemos o momento mais livre e contestador do cinema brasileiro.

    O documentário de Bruno Safadi (Meu Nome é Dindi) e Noa Bressane valoriza trechos dos filmes realizados por Rogério Sganzerla (O Bandido da Luz Vermelha) e Júlio Bressane (A Erva do Rato), passando por trechos dos inqualificáveis Copacabana Mon Amour, Cuidado Madame, Sem Essa Aranha e A Família do Barulho. Desse modo, comprova o quanto esses pequenos trechos estão a anos-luz de superioridade e paixão de 99% do que se faz de cinema hoje neste país.

    Completando a colagem com algumas entrevistas raras, e um belo material criado especificamente para o filme, como o barco entrando na Baía de Guanabara logo no início, Safadi e Bressane conseguem uma abordagem ao mesmo tempo afetiva e científica.

    Afetiva por motivos óbvios. Noa carrega o sobrenome Bressane, enquanto Bruno tem trabalhado com o diretor de Cleópatra há alguns anos. Científica porque vai aos filmes para mostrar, como num simples dois mais dois, que Bressane e Sganzerla são nomes tão importantes para nossa cinematografia quanto Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos.

    Durante toda a projeção, o que sentimos é o mais puro deleite cinematográfico. Mas é a maneira como termina que vai nos deixar com o coração e a mente tomados por essa paixão de se fazer cinema contra tudo e todos. Uma sequência importantíssima e incrivelmente bela de Sem Essa Aranha, um dos filmes mais livres e inventivos da história do cinema.

    Nela, vemos Luíz Gonzaga saindo com sua sanfona da escuridão de um casebre mal iluminado para um quintal bucólico onde as pessoas saboreiam um churrasco. Zé Bonitinho e Helena Ignez também estão em cena. Mas é a câmera que realiza movimentos de uma liberdade imensa, voando pelos famintos como quem procura a essência da vida, enquanto a cultura brasileira explode nesse quintal.