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    BEM-VINDOS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Chega ao Brasil a comédia dramática Bem-Vindos, novo trabalho do diretor sueco Lukas Moodyson, o mesmo de Amigas de Colégio. O ponto central do filme é uma casa em Estocolmo, capital da Suécia. O ano é 1975 e o lugar serve de moradia para uma comunidade hippie, tão comum naquela época. A casa é um pouco apertada para os seus nove moradores e, apesar da filosofia “Paz & Amor”, a harmonia não é exatamente a maior qualidade daquela comunidade.

    A situação, já tensa, piora ainda mais quando Goran (Gustav Hammarsten) leva para o lugar sua irmã Anna (Jessica Liedberg) – que acaba de se separar do marido - junto a seus dois sobrinhos. Rapidamente se estabelece uma espécie de divisão social: de um lado, hippies liberais em busca de uma nova forma de viver. Do outro, um núcleo familiar baseado em ideais burgueses. Aos poucos, cada um será obrigado a ceder um pouco, a aprender um pouco e, principalmente, a tentar enxergar as qualidades do próximo. Mesmo porque, neste caso, o próximo está próximo demais. No final deste longo aprendizado, as coisas podem não acabar em pizza, mas acabam, sim, num simbólico e significativo jogo de futebol.

    Um dos pontos que mais chama a atenção no filme é a capacidade de Moodyson em construir com tanta segurança um número tão grande de personagens: contando com o marido abandonado de Anna e com os vizinhos, são 16 no total, cada um deles de importância fundamental para a narrativa.

    Co-produzido entre Suécia, Dinamarca e Itália, Bem-Vindos é um painel bem-humorado das relações humanas, em que uma simples casa vira o microcosmo das transformações sociais dos anos 70. Dentro da nova realidade, a palavra de ordem é adaptação e o jogo de cintura é cada vez mais necessário. Os hippies aprendem com as crianças que um pedaço de carne vermelha pode não ser tão perigoso assim (embora tomar Coca-Cola já seja considerado extremamente radical), enquanto a mulher agredida pelo marido descobre que não depilar as axilas não é propriamente um pecado mortal. O tão saudável ponto de equilíbrio está prestes a ser encontrado.

    Premiado em vários festivais europeus e norte-americanos, Bem-Vindos utiliza uma linguagem cinematográfica retrô (cheia de zooms, parecendo um antigo Super-8 doméstico), coerente com a época retratada. Mas, seu conteúdo otimista e sua mensagem positiva de tolerância nunca saem de moda.

    Um toque final: repare como a garota Emma Samuelsson, no papel de Eva, parece uma versão mirim de Carla Camurati.

    23 de julho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br