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    BILLI PIG

    Comédia é confusa, com problemas de roteiro e, quando faz rir, o faz por meio de cenas isoladas <br />
    Por Roberto Guerra
    01/03/2012

    O cineasta José Eduardo Belmonte deixa a ambientação obscura e densa de bons filmes como A Concepção e Se Nada Mais Der Certo para apostar num gênero despretensioso, mas nem por isso fácil: a comédia. Sua intenção era fazer um tributo às chanchadas, mas conseguiu apenas resvalar no seu intento. Billi Pig é confuso, com problemas de roteiro e, quando faz rir, o faz por meio de cenas isoladas que não se agregam à história.

    O roteiro, que avança capenga para lugar algum, mostra o corretor de seguros Wanderley (Selton Mello no piloto-automático) ameaçado – por causa do porco conselheiro que dá nome ao filme – de perder sua mulher, Marialva (Grazi Massafera), aspirante à atriz que sonha com uma vida de estrela de cinema. Quando Tenório (Murilo Grossi), chefe dos capangas do traficante Boca (Otávio Muller), procura o padre Roberval (Mílton Gonçalves), Wanderley tem a grande ideia para escapar da enrascada com a mulher – e quem sabe se meter em outra. Ele elabora um plano com o padre picareta, que tem fama de milagreiro, para que possam enganar Boca, que está desesperado em busca de alguém que consiga fazer com que sua filha saia do coma.

    Mesmo com um grande elenco encabeçando a produção - e um enredo com potencial para gerar situações cômicas -, a sensação que se tem ao assistir Billi Pig é a de estar diante de uma grande colagem onde as coisas não se encaixam a contento. Como acontece em produções oriundas de maus roteiros, aqui existem os famigerados personagens que surgem do nada e para ele retornam sem que se saiba sua importância na trama. É o caso da dona da funerária e seu auxiliar, vividos por Preta Gil e Milhem Cortaz. Ambos poderiam ter sido melhor aproveitados, mas parecem fazer parte de um universo alheio ao do filme tamanha a falta de unidade do roteiro.

    A desarmonia também é evidente na execução dos momentos supostamente engraçados do longa. As piadas simplesmente não funcionam, seja porque não têm graça mesmo, ou porque se diluem e perdem sentido na montagem apressada. Não é dado o tempo cômico necessário para que as esquetes funcionem, para que certos bordões tornem-se engraçados pelo processo de repetição. Tudo está jogado a esmo, sem esmero nem capricho.

    Por fim, o único personagem de fato cômico do filme acaba sendo a Marialva, que faz piada em cima do passado da própria Grazi Massafera - jovem do interior sonhando com o glamour da vida de atriz. De resto, Billi Pig é uma sucessão de equívocos que proporciona ao espectador mais constrangimento que riso.