Pôster de Birdman

BIRDMAN OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA

(Birdman)

2014 , 119 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/01/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alejandro González Iñárritu

    Equipe técnica

    Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone

    Produção: Alejandro González Iñárritu, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole, John Lesher

    Fotografia: Emmanuel Lubezki

    Trilha Sonora: Antonio Sánchez

    Estúdio: Fox Searchlight Pictures, Regency Enterprises, Worldview Entertainment

    Montador: Douglas Crise, Stephen Mirrione

    Distribuidora: Fox Film do Brasil

    Elenco

    Akira Ito, Amy Ryan, Andrea Riseborough, Brent Bateman, Clark Middleton, Damian Young, David Fierro, Donna Lynne Champlin, Edward Norton, Emma Stone, Hudson Flynn., Jamahl Garrison-Lowe, Jeremy Shamos, Joel Marsh Garland, Katherine O'Sullivan, Keenan Shimizu, Kenny Chin, Lindsay Duncan, Merritt Wever, Michael Keaton, Michael Siberry, Naomi Watts, Natalie Gold, Paula Pell, Warren Kelly, William Youmans, Zach Galifianakis

  • Crítica

    21/01/2015 19h01

    Guy Debord já afirmava, em sua obra A Sociedade do Espetáculo, que vivemos em função de representações. Presos em um simulacro, a vida real não passaria de uma verdadeira representação teatral, vazia de realidade material. Refugiado nesse cenário de aparências, o mexicano Alejandro González Iñárritu narra a jornada de um ator de Hollywood assombrado pelo prestígio do passado.

    Riggan Thomson (Michael Keaton) se tornou um dos astros mais importante da geração dos anos 90 após interpretar Birdman, mas a recusa de protagonizar novamente o herói levou-o a enfrentar o pesadelo mais temido por um artista: O esquecimento. Obstinado a recuperar sua notoriedade, investe tudo em uma adaptação teatral da Broadway. Mas o ostracismo não é o único fantasma que o rodeia. Thomson tem que lidar com o fracasso de seu casamento, com a filha rebelde cheia de crises existenciais (que também é sua ajudante), com a petulância de um jovem ator, vivido competentemente por Edward Norton. Para piorar, o protagonista precisa suportar uma insistente voz oculta, fruto de sua mente, que mais tarde revela-se ser do antigo personagem.

    Logo de cara é impossível não associar a trajetória de Riggan com a do próprio Keaton. Após interpretar Batman, nos longas dirigidos por Tim Burton, o ator foi aos poucos desaparecendo dos holofotes e, mais tarde, passou a se contentar com papéis coadjuvantes em filmes, muitas vezes, infanto-juvenis. Talvez seja por isso que o ator pareça tão confortável em sua interpretação. Há algo na forma como ele transpõe os medos e anseios de seu personagem que nos faz realmente crer que aquilo não é apenas derivado de uma boa atuação.

    Aliás, todo o elenco está bem. É impressionante ver, por exemplo, que mesmo com um papel de pouco destaque, Naomi Watts consegue crescer dentro das possibilidades que são oferecidas a sua personagem. Já Norton mostra-se em forma na pele do astro cheio de estrelismos Mike Shiner, capaz de elevar um personagem clichê a outro patamar, principalmente em suas ocasionais oscilações de humor. Seus diálogos com a jovem Sam, papel de Emma Stone, também são dotados de uma profundidade e destreza de encher os olhos.

    Iñárritu (Babel21 Gramas) acumula significante experiência em Hollywood e por isso não hesitou em alfinetar grandes estrelas em seu roteiro, cuja crítica recaí sobre o caráter efêmero da indústria do entretenimento e sua manutenção das aparências – o mito inalcançável do mundo dos "ricos e famosos" – e em sua capacidade de gerar Buzz, seja por apresentar um conteúdo de qualidade ou pelo envolvimento em grandes escândalos. O diretor também faz questão de reafirmar a contribuição da era digital para essa derrocada moral quando, em uma das cenas, pessoas perseguem Riggan Thomson com suas câmeras de celular enquanto o mesmo corre seminu pelas ruas. Não é preciso dizer que o vídeo vai parar no Youtube e faz tremendo sucesso.

    Para caracterizar ainda mais seu teatro da vida real, o cineasta trabalha diversas cenas em plano sequência, com cortes sutis que só são percebidos pelas mudanças de cenário, com a câmera voyeur sempre a seguir os atores ou a ziguezaguear pelos estreitos corredores do velho St. James Theater. Como consequência, o público sente-se como espectador de uma peça, como se cada ato do filme estivesse ocorrendo ao vivo, diante de nossos olhos.

    A trilha é outro fator que impressiona pela simplicidade. Produzida pelo conterrâneo mexicano Antonio Sánchez, é composta apenas por solos de bateria - com raras exceções – que reforçam o tom das cenas, alternando sua intensidade nos momentos necessários. Já a bela fotografia fica por conta do premiado Emmanuel Lubezki, mexicano ganhador do Oscar por seu trabalho em Gravidade, que pode repetir o feito esse ano.

    Birdman Ou A Inesperada Virtude Da Ignorância é uma obra autêntica e intensa, com tiradas metalinguísticas responsáveis por causar incômodo e, consequentemente, reflexões sobre os padrões culturais da atualidade, principalmente no que se refere ao mundo dos Blockbusters de ação e adaptações de Super-heróis. Suas citações memoráveis com certeza devem figurar pelo submundo "cult", como ocorreu com Clube Da Luta, Scarface, entre outros.

    Não há dúvidas de que o longa veio para consolidar a posição de Iñárritu como um dos melhores diretores de sua geração. Muito além da volta por cima de Michael Keaton, Birdman será responsável por voltar os olhos da, por vezes egoísta, Hollywood para o trabalho feito por seus vizinhos latinos. Visibilidade mais do que merecida.



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