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    BLING RING: A GANGUE DE HOLLYWOOD

    Sofia Coppola se perde entre crítica inicial e ostentação
    Por Cristina Tavelin
    14/08/2013

    Não é de hoje que a fugacidade da fama exerce sua fascinação sobre os cineastas: seja no melancólico Crepúsculo dos Deuses, no charmoso A Doce Vida ou simplesmente em Celebridades, o tema sempre esteve presente na sétima arte.

    Sofia Coppola tenta imergir nele com Bling Ring: A Gangue de Hollywood, onde a ostentação do palácio de Versailles de Maria Antonieta passa às mansões dos astros. Não consegue ir muito fundo. Por se ater demais aos acontecimentos, perde a liberdade poética da ficção que poderia sustentar sua narrativa. 

    Baseado no artigo Os Suspeitos Usavam Louboutins, da jornalista Nancy Jo Sales para a Vanity Fair, o longa retrata a série de invasões de um grupo de adolescentes a casas de famosos como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Orlando Bloom. Entre roupas, joias e obras de arte, eles roubaram o equivalente a US$3 milhões.

    Marc (Israel Broussard) tem dificuldades para se relacionar e quando encontra Rebecca (Katie Chang) sente-se incluído e descolado dentro do novo colégio. Só que a garota tem uma compulsão por artigos de luxo, a qual cresce ininterruptamente após o encontro com o bom parceiro para assaltos.

    O início de Bling Ring causa boa impressão. A trilha sonora pop, marca da diretora, embala imagens de câmeras escondidas flagrando as ações do bando. A contextualização dos personagens também prende a atenção ao mostrar os porquês – e a falta deles – nas atitudes dos protagonistas.

    Emma Watson se destaca ao interpretar a patricinha Nicki, cuja mãe é completamente adepta ao discurso da Nova Era em sua vertente mais comercial – a exemplo de sua filosofia de vida baseada no best-seller O Segredo. A garota usa muito bem a caridade aprendida em casa quando lhe é conveniente. Crítica certeira.

    A Nicki da vida real, Alexis Neiers, explicou da seguinte forma seu envolvimento no caso: "Acredito fortemente no Karma e acho que essa situação foi atraída para minha vida como um grande aprendizado para que eu cresça e evolua como ser espiritual. Me vejo sendo Angelina Jolie".

    A esposa de Brad Pitt é retratada como exemplo de caráter à Nicki e sua irmã adotiva Sam, também envolvida na série de invasões junto à outra amiga do grupo, Chloe. Sofia Coppola soube unir de forma coerente essas diversas referências em um roteiro não linear.

    O problema de Bling Ring está em sua fórmula, a qual esgota-se muito rápido. Após a terceira visita à mansão de Paris Hilton, não há mais o que ser mostrado.

    Seguindo um caminho previsível do meio para o final, o longa se perde em tantos closets e brilhantes de milhares de dólares. A alta dose de glamour leva o espectador exatamente ao lado oposto da crítica inicial - o fazendo imergir em toda a superficialidade tentadora que o dinheiro pode comprar.