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    BLOODSHOT

    Por Daniel Reininger
    11/03/2020

    Estrelado por Vin Diesel (Velozes E Furiosos) e baseado numa das HQs mais interessantes da Valiant Comics, Bloodshot é um filme genérico de super-herói, capaz de garantir duas horas de diversão pipoca para quem está com saudades de uma boa pancadaria com o famoso ator nas telonas.

    Criado por Don Perlin (famoso por escrever Motoqueiro Fantasma nos anos 90), Kevin VanHook (cineasta e roteirista) e Bob Layton (famoso por escrever Homem de Ferro e Hércules na Marvel), Bloodshot é um ex-soldado que adquiriu poderes de regeneração após passar por experiências com nanotecnologia. O problema é que tais experiências foram contra a sua vontade e ele tem sua memória apagada inúmeras vezes.

    Quando finalmente percebe o que acontece com ele, se torna obcecado em descobrir sua origem e se vingar das pessoas que arruinaram sua vida. Vale destacar que além da sua regeneração impressionante, também adquiriu super força. Que é um poder padrão, porém sempre bem-vindo para super-heróis.

    O novato cineasta Dave Wilson, que trabalhou principalmente com videogames até então, mostra que sabe mesmo é construir histórias para os consoles, já que o longa mais parece um jogo, separado por fases e chefões a cada novo desafio.

    Não chega a ser desagradável, pelo contrário, a ação funciona bem e algumas cenas são bem criativas, só não é o bastante para tornar esse filme memorável. Em termos de roteiro, as reviravoltas são previsíveis e a narrativa tenta tirar sarros dos clichês dos quais abusa como forma de mostrar consciência sobre o assunto, mas só deixa claro o quão perdido o diretor estava. Uma coisa é você usar um ou dois clichês e tirar sarro deles, outra é basear o roteiro e narrativa neles e tentar fazer o mesmo.

    Como comentei acima, o visual do longa é interessante e as cenas de ação, em geral, funcionam. Uma luta dentro de um túnel é particularmente criativa. E as cenas de regeneração são grotescas e dão um toque inesperado (e bem-vindo) de horror. De resto, se multiplicam os clichês de combates contra malfeitores dentro de prédios, elevadores, laboratórios, casas fortificadas. Típicas locações e dinâmicas de filmes e games de ação.

    O fato de o protagonista não poder ser destruído acaba atrapalhando a narrativa, porque o maior obstáculo para o seu sucesso é ele mesmo. Então o longa se perde nessa premissa e, como resposta, abusa do espancamento gratuito de capangas e eventuais lutas contra "chefões" que raramente causam emoção.

    No fim, o longa diverte o suficiente para valer uma saída com amigos e algumas risadas, mas Bloodshoot não consegue se destacar nem como filme de super-herói, nem como longa de ação. Com muito potencial desperdiçado, fica a curiosidade para um segundo filme da franquia, o qual poderia realmente aprofundar a história de Ray Garrinson (Vin Diesel), seus companheiros e explorar melhor esse mundo onde a cyber tecnologia parece permitir histórias incríveis serem contadas num ambiente cyberpunk raramente visto no cinema. Fica a esperança para a sequência aprofundar as questões ignoradas nesse primeiro filme.