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    BOA SORTE

    Deborah Secco encanta em drama sobre amor e morte
    Por Daniel Reininger
    26/11/2014

    Boa Sorte acompanha duas vidas destruídas por dependência química, que encontram nova força para viver após encontrarem o amor. Em meio à tragédia, a esperança vem do romance de um jovem, sem rumo, e uma mulher mais velha, que estava, até então, apenas à espera da morte.

    A trama, escrita por Jorge Furtado e seu filho Pedro, acompanha João (João Zappa), jovem dependente químico internado pelos pais em uma clínica de reabilitação. No local, o rapaz conhece Judite (Deborah Secco), usuária de drogas, soropositiva e com pouco tempo de vida. Aos poucos se tornam próximos e encontram nova força para viver.

    Com discurso semelhante ao sucesso A Culpa É Das Estrelas, Boa Sorte funciona graças à dinâmica entre seus personagens. A diretora Carolina Jabor, que faz sua estreia em longas-metragens de ficção, entende profundamente os protagonistas e permite que os atores explorem nuances inesperadas de cada um. Destaque para o plano-sequência de uma dança pelos corredores da clínica, que revela muito de João e Judite, sem que nenhuma palavra seja dita.

    Deborah Secco se entrega totalmente ao papel. Fisicamente, aparece magra e pálida, envolta em tristeza. Em contrapartida, quando está com João, seu rosto se ilumina e ela volta a se sentir viva, mesmo que por alguns momentos. Sua atuação é tocante e ela leva o filme praticamente nas costas. João, ator com mesmo nome de seu personagem, tem participação apenas satisfatória e não causa o mesmo impacto de seu par.

    Participações especiais de Fernanda Montenegro, como avó de Judite, e de Cássia Kiss Magro, como terapeuta da clínica, reforçam o tom dramático com grandes atuações. Fernanda é a justificativa simplória do longa para o triste fim de Judite. A personagem deixa claro que aprontou muito em sua vida e ela sabe o impacto disso sobre a neta. Já Cássia, sozinha, representa a humanidade da clínica e mostra a outro lado dessas instalações, sem cair no clichê da dinâmica destrutiva clínica/paciente que normalmente vemos.

    Visualmente, o filme procura reforçar a decadência e solidão dos personagens com cenários desgastados e fotografia marcada pelo contraste de cores, luz e sombra. Com exceção de alguns momentos de humor forçado incoerentes com o tom da narrativa, como a cena de João roubando arquivos do escritório da clínica enquanto outro paciente finge passar mal, o filme vai bem até o final. Nesse momento, Jabor perde o timing e deixa de terminar a obra quando devia para inserir cenas de flashback que nada acrescentam.

    Boa Sorte tem uma doçura inerente que conquista o espectador. Deborah, apesar dos problemas de sua personagem, está encantadora como nunca e faz até o personagem João parecer mais interessante. A narrativa é agradável e trata de assuntos fortes com delicadeza e ainda consegue transformar uma história simples em grande romance.