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    BOCA

    Apesar de correr demais com a narrativa, filme tem grande capricho cênico e está acima da média
    Por Roberto Guerra
    26/09/2012

    Adaptação da autobiografia do criminoso Hiroito de Moraes Joanides, este filme retrata a atmosfera criminosa da Boca do Lixo, região de prostituição no centro de São Paulo nas décadas de 50 e 60.

    Nascido em uma família de classe media alta, Hiroito era habitué da Boca apenas como farrista atrás de aventuras sexuais. Uma tragédia pessoal, no entanto, promove uma reviravolta em sua vida. Seu pai é violentamente assassinado e ele acusado pelo crime. Revoltado, compra armas e vai viver na Boca, tornando-se rapidamente um dos bandidos mais temidos do lugar por sua pouca reflexão antes de puxar o gatilho.

    Dirigido por Flávio Frederico, Boca é um filme que chama a atenção por seu apuro técnico. Nota-se ao longo de toda a produção uma preocupação clara com a elaboração de cada cena, todas muito bem construídas de fato. A fotografia de Adrian Teijido e o bom trabalho de direção de arte criam um ambiente de filme noir envolvente e driblam com desenvoltura as limitações comuns a um filme de época de baixo orçamento.

    O mesmo capricho cênico, no entanto, não se vê no vínculo entre cenas. Frederico exibe habilidade na direção e faz de Boca um filme pungente, de personagens interessantes e sequências eficazes. Porém, os muitos (e às vezes bruscos) saltos cronológicos enfraquecem ligeiramente o arco dramático. A produção tenta compreender grande espaço temporal sem estender sua duração, o que a leva a parecer pressurosa a quem assiste e de ligação emocional débil entre espectador e personagens.

    O bom elenco ajuda a dirimir tal impressão. Daniel de Oliveira (Cazuza - O Tempo Não Para) mostra por que é hoje um dos melhores atores de sua geração, dando vida a Hiroito em mais um bom trabalho de sua já elogiável carreira cinematográfica. Hermila Guedes (O Céu de Suely), como a prostituta que se converte em companheira do bandido, é sempre uma presença forte na tela, mas suas aparições e sumiços súbitos não ajudam no desenvolvimento desta rica personagem.

    Hiroito de Moraes foi um bandido romântico, à moda antiga, emplogado com as possibilidades de ganho fácil por meio da cafetinagem e tráfico de drogas. Virou lenda quando a Boca do Lixo era território sem lei e a polícia ignorava (a troco de suborno) o que acontecia por lá. Boca explora bem o mito Hiroito e ambienta com esmero sua história. Mesmo a montagem problemática, de ritmo excessivamente acelerado, não é suficiente para apagar os méritos desse filme cheio de personalidade e bons momentos.