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    BODAS DE PAPEL

    Por Angélica Bito
    16/05/2008

    Já faz algum tempo que o drama Bodas de Papel está sendo produzido. A primeira vez que ouvi falar do filme foi há três anos. Eis que, finalmente, o segundo longa-metragem de André Sturm (Sonhos Tropicais) chega aos cinemas brasileiros depois de ter recebido o prêmio de Melhor Filme, de acordo com o Júri Popular, no Cine PE de 2008.

    O roteiro - escrito por Adriana Lisboa, Flavio Carneiro e André Sturm - é desenvolvido em Candeias, uma pequena cidade que, depois de ter sido esvaziada para dar lugar à construção de uma usina hidroelétrica, é devolvida novamente à população. A localidade é peça-chave na trama, já que é lá que os personagens se encontram e vivenciam as experiências retratadas no longa.

    Nina (Helena Ranaldi, em seu primeiro papel no cinema) passou parte da infância no local, onde morava seu avô (Sérgio Mamberti). Em busca de suas memórias infantis, ela resolve mudar-se à casa onde o avô vivia, além de reformar o único hotel da cidade, de propriedade de sua família. Em Candeias, ela entra em contato novamente não somente com seu passado, mas também com um novo amor, personificado na figura do arquiteto argentino Miguel (Darío Grandinetti, de Fale com Ela).

    Bodas de Papel é um filme morno, sem ritmo. Ele não apresenta problemas gritantes na direção e a estréia de Helena Ranaldi no cinema não é de manchar seu currículo, mas os diálogos do longa soam tão corretos falsos demais, tornando difícil acreditar no que está sendo dito na tela. O filme começa com cenas sutis e delicadas, mas essa aura não é mantida ao longo do desenvolvimento da história, muito pelo contrário. Não que exista alguma necessidade do filme se ater à realidade, mas falta calor ao tratamento da história mostrada na tela. O resultado é um longa incapaz de provocar sentimentos no espectador, apesar de ser focado nos dos personagens.