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    BONECO DE NEVE

    Longa tem narrativa repetitiva e ritmo desgastante
    Por Iara Vasconcelos
    22/11/2017

    O diretor sueco Tomas Alfredson conseguiu chamar a atenção de Hollywood após o seu bem-sucedido "romance de horror" Deixa Ela Entrar (2008), o que lhe rendeu diversos convites para trabalhar na Terra das Estrelas.

    Sua primeira tentativa no circuito mais comercial foi com o suspense O Espião Que Sabia Demais (2011), estrelado por Colin Firth e Benedict Cumberbatch, bem recebido por crítica e público. Entretanto, sua mais nova empreitada pode ser considerada um ponto fora da curva com uma narrativa repetitiva e ritmo desgastante.

    Boneco De Neve acompanha o detetive norueguês Harry Hole (Michael Fassbender) e sua colega de departamento Katrine Bratt (Rebecca Ferguson) na caçada por um serial killer que gosta de mutilar suas vítimas. De acordo com seu modus operandi, ele age apenas durante o inverno e ataca mulheres casadas, que tiveram casos extraconjugais, e deixa um boneco de neve próximo a cena do crime.

    A premissa do filme é interessante, mas o que vem em seguida é frustrante. Alfredson falha em manter o espectador atento e investido nos personagens. Para completar, a história central é desfocada para dar lugar a subtramas que pouco acrescentam ao resultado final, a exemplo da relação de Hole com a ex-esposa e o seu filho "postiço", seu problema com alcoolismo e a aparição de um homem com trajes de proteção em seu apartamento. Essa última questão não é bem explicada, mas tudo leva a crer que trata-se de uma visão do detetive provocada pelo uso do álcool e de remédios para dormir.

    Já as revelações sobre o passado da detetive Bratt caem no clichê e fazem a personagem passar de inteligente e decidida para emocionalmente frágil e descuidada. Uma baixa se considerarmos que ela é uma das únicas figuras femininas de destaque da trama.

    Há também um problema com o personagem de J.K. Simmons, que à primeira vista aparenta ser uma figura chave na história, mas logo é descartado sem maiores explicações.

    O cineasta também parece não se importar em mostrar um lado mais humano das vítimas e investe numa estética "gore" e sangrenta na tentativa de atrair quem curte produções do gênero, mas tudo parece gratuito demais.

    Diferente de outras produções que abordam a figura do assassino em série, o longa não se preocupa em discutir o lado psicológico do criminoso e a motivação que o leva a cometer as mortes soa pouco convincente. A sequência de más decisões fica completa com o desfecho preguiçoso e pouco original.

    Boneco de Neve é um filme de grande potencial, afinal o livro escrito por Jo Nesbø que o inspirou é um best-seller bastante aclamado. Entretanto, o filme carece de brilho próprio e se sustenta em saídas fáceis que resultam em um produto final totalmente desinteressante.