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    BONS COSTUMES

    É o melhor trabalho de Stephan Elliott - o que não significa que o filme seja genial<br />
    Por Sérgio Alpendre
    03/09/2009

    O diretor australiano Stephan Elliott (Priscilla - A Rainha do Deserto) conta que na adolescência era fã de Steven Spielberg; somente depois descobriu Alfred Hitchcock, influência confessa do diretor de E.T.. Apesar de achar o Bons Costumes original um Hitchcock menor, realizado por um artista com visão do mundo ainda em formação, revelou que o diretor de Psicose teve, sim, mas por outros motivos, uma influência enorme em Bons Costumes, seu mais recente trabalho, e, disparado, o melhor de sua carreira.

    Bons Costumes não é nenhuma maravilha, e chega a ser óbvio em alguns momentos. Mas é bem simpático e, de longe, o ápice da obra deste diretor, que já fez o bobocaPriscilla - A Rainha do Deserto e o constrangedor Bem-vindo a Woop Woop. A história gira em torno de um casamento precipitado entre uma americana (Jessica Biel, de Eu os Declaro Marido e... Larry) e um inglês (Ben Barnes, de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian), após a Primeira Guerra Mundial. Quando ele vai apresentar a noiva, com planos de morar com ela na imensa mansão que a família possui no subúrbio londrino, a reação da matriarca interpretada brilhantemente por Kristin Scott-Thomas (Há Tanto Tempo que Te Amo) é a mais incômoda possível. Indiferença em alguns momentos, desprezo em outos, mas, acima de tudo, uma enorme diferença separa nora de sogra: o contraste entre duas culturas diferentes: a americana e a inglesa.

    O filme, baseado em famosa peça de Noel Coward, segue todo em clima de comédia leve, até que acontece um fato inusitado e drástico, mas também muito engraçado. Aí vira, por alguns minutos, uma comédia nervosa, com vários momentos hilários, mas que provocam um riso tenso, pois, afinal, pode haver implicações terríveis para a heroína, com a qual o espectador, a esta altura, já estará completamente identificado.

    Com inegável charme e rapidez nas gags, além de uma direção surpreendentemente estilosa, que lembra alguns momentos de Rainer Werner Fassbinder (O Casamento de Maria Braun) e Ingmar Bergman (Morangos Silvestres), Bons Costumes é visto com muito prazer, ainda que falte ao diretor Elliott um domínio maior da dramaturgia, o que, a julgar pelo incrível progresso em sua carreira, ele pode conseguir a curto prazo.