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    BRASÍLIA 18%

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Marcando a volta do cineasta Nelson Pereira dos Santos (Rio 40 Graus) na direção de um longa-metragem de ficção, Brasília 18% é situado no circo de poderes da cidade que concentra os maiores e mais perigosos interesses brasileiros.

    O filme começa com a chegada de um avião que carrega um passageiro importante: o doutor Olavo Bilac (Carlos Alberto Riccelli), renomado médico legista brasileiro que trabalha em Los Angeles (EUA). Ele é convidado pelo IML de Brasília para analisar a perícia referente à identificação de uma ossada, supostamente pertencente à jovem economista Eugênia Câmara (Karine Carvalho), desaparecida há meses. O que parece ser uma tarefa simples torna-se um tormento para o médico. Recém-falecido, segue tendo visões de sua esposa (Bruna Lombardi), ao mesmo tempo em que desenvolve uma obsessão por outra mulher (aparentemente morta, caso os exames confirmem), Eugênia. Em sua cabeça, essas duas mulheres seguem vivas. Mais uma, desta vez real, completa o trio feminino que toma conta dos pensamentos do médico em Brasília. Ela é a misteriosa e ambígua deputada Georgesand Romero (Malu Mader).

    A morte da economista é a chave para abrir um baú de segredos dentro do mundo político de Brasília. Se a perícia confirmar a identidade de Eugênia, o suspeito será acusado formalmente do crime. Ele é seu namorado, o cineasta Augusto dos Anjos (Michel Melamed), última pessoa a vê-la antes do desaparecimento e bode expiatório dessa história. Logicamente, políticos acusados pelo principal suspeito querem que o cineasta permaneça na cadeia. Por isso, pressionam o legista para identificar o corpo de Eugênia.

    Brasília 18% aborda esse cenário sujo de Brasília, mas a parte política da trama é dosada com a ambigüidade e as incertezas dentro da mente do protagonista. Seus delírios tornam-se reais na tela, assim como as tramóias dos políticos. Balancear tão bem esses dois aspectos tão diferentes da trama é um dos trunfos do filme.

    Muito bem dirigido - como era de se esperar em se tratando de Nelson Pereira dos Santos -, Brasília 18% é um projeto antigo do diretor. Mesmo assim, infelizmente, sua trama segue atualíssima com as manipulações políticas que mostra. A grande revelação, aqui, é Karine Carvalho. Além de belíssima, a jovem atriz - que estréia no cinema neste projeto - mostra que não está para brincadeira. Nem poderia. A trilha sonora, composta por Paulo Jobim (filho de Tom Jobim) também merece destaque, assim como a fotografia seca de Edgar Moura, que traduz na tela a seca Brasília que Nelson pretende mostrar. Carente não somente de umidade, mas também de vergonha na cara mesmo.