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    BRIDESHEAD - DESEJO E PODER

    Belo e frio, drama com Emma Thompson recria Inglaterra no período de 1925
    Por Celso Sabadin
    01/04/2010

    Paixões avassaladoras, locações majestosas, figurinos chiques, dúvidas crueis... mas pouca alma. Brideshead – Desejo e Poder acaba se transformando em refém de sua própria busca pelo esteticamente correto. São enquadramentos milimetricamente estudados e luzes cuidadosamente pensadas para criar um espetáculo de encher os olhos. E de fato cria. Mas tanto artificialismo visual gerou um esvaziamento emocional. Não é exagero dizer que cada cena parece um comercial de perfume caro.

    Ambientada na Inglaterra entre guerras, a trama é centralizada no personagem Charles Ryder (Matthew Goode, de O Direito de Amar), rapaz de classe média que consegue ingressar no fechado mundo da aristocracia através da amizade muito especial que começa a desenvolver com Sebastian Flyte (Ben Wishaw), seu colega de Oxford. Através de Sebastian, abrem-se para Charles as portas da opulência, do exibicionismo material, da riqueza e até do amor. Um universo totalmente diferente daquele em que ele vive em Londres com seu pai, viúvo e sombrio. Mas evidentemente tudo tem seu custo.

    O romance de Evelyn Waugh que deu origem ao filme aborda com destaque – e até fervor – o tema do catolicismo dentro de um país eminentemente protestante como a Inglaterra. O protagonista não apenas toma contato com um mundo em demasia material, como também com uma família radicalmente católica, o que já seria, por si só, um paradoxo. Não será, diga-se, o único paradoxo que norteará as relações humanas e sexuais do filme.

    A matriarca da família (Emma Thompson) tenta manter seus filhos unidos dentro daquilo que ela acredita ser suas bases religiosas, chegando até a admitir que “toleraria” que sua filha se casasse com alguém de classe mais baixa, mas jamais com um não-católico. Não chega a ser uma vilã – no sentido tradicional do termo – mas sim uma mulher presa pelas suas convicções (radicais ou não), que aos poucos se vê vítima da própria rigidez.

    O mundo lá fora está mudando, assim como seus filhos. Seu marido (Michael Gambon) – literalmente – já mudou, e as bases da sociedade estão prestes a encarar uma outra guerra mundial. Mas a matriarca não consegue se adaptar.

    E se um dos grandes temas de Brideshead – Desejo e Poder é o paradoxo, sem querer contar o final do filme, vale ressaltar como a questão religiosa também é tratada aqui de forma dúbia, com o protagonista fazendo um mea culpa e acabando por abraçar o mesmo catolicismo que ele negou durante toda sua vida. Soa moralista, mas é a proposta da autora.

    Em termos cinematográficos, Brideshead – Desejo e Poder é belo e frio. Talvez como a própria sociedade que ele retrata.