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    BRILHO DE UMA PAIXÃO

    O destaque vai mesmo para o trabalho dos atores, realmente inspirados<br />
    Por Sérgio Alpendre
    24/06/2010

    Jane Campion é uma diretora da Nova Zelândia de carreira interessante, embora irregular. Em sua filmografia cabe bobagens como Em Carne Viva e Retrato de uma Mulher, mas também surpresas como Fogo Sagrado e Um Anjo em Minha Mesa, ainda seu melhor filme. Mas mesmo as bobagens têm seus momentos de interesse, graças sobretudo ao artesanato caprichado de sua direção, e a uma sempre impecável direção de atores.

    Com Brilho de uma Paixão, se aventura pela mesma seara de Joe Wright e Ang Lee, nos excelentes Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. Essa seara diz respeito a uma Inglaterra distante, mas também a detalhes quase imperceptíveis na interação entre os personagens, além de uma relação de trocas de olhares que só um bom diretor é capaz de fazer. Se Campion não está no mesmo nível, chega perto, em grande parte pelos trunfos apontados no parágrafo acima. Ela não precisou pedir socorro a um romance de Jane Austen, como Wright e Lee, mas recorreu a uma história de amor do início do século XIX. Escreveu o roteiro de próprio punho, baseado no romance entre o poeta John Keats e a estudante de moda Fanny Brawne (ambos brilhantemente interpretados por Ben Whishaw e Abbie Cornish, respectivamente).

    Todo o aspecto técnico é de tirar o chapéu, e ajuda a fruição da obra. Mas o destaque vai mesmo para o trabalho dos atores, realmente inspirados. Não é fácil conseguir que jovens sejam vistos como pessoas que vivem em épocas remotas, sofrendo doenças e cerceamentos morais típicos de um passado distante, mas foi exatamente o que Campion conseguiu com este filme.