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    BRINCANTE

    Antônio Nóbrega ganha homenagem pouco inspirada
    Por Gustavo Assumpção
    02/12/2014

    O trabalho de recuperação da cultura popular e de valorização das expressões mais naturais do nosso povo tornou Antônio Nóbrega um dos artistas mais respeitados do Brasil. Suas cores, a espontaneidade e a beleza de sua arte e sua tentativa de superar as barreiras entre erudito e popular enchem a tela em Brincante, tocante homenagem do diretor Walter Carvalho para o artista.

    Há aqui uma clara mistura de gêneros, já que o filme transita entre o documentário – no qual Walter Carvalho possui grande experiência – e a ficção. Quem conduz o filme são os personagens João Sidurino e Rosalina, que surgiram em trabalhos escritos por Nóbrega para o teatro. Está nas mãos deles mostrar uma série de expressões culturais criados pelo autor, uma tentativa de revelar o imaginário popular e cultural brasileiro.

    A teatralidade exagerada do longa contrasta com seu belo visual. Entre as cenas em que seu duo de protagonistas reflete sobre a vida, o filme insere performances realizadas por integrantes do Instituto Brincante (teatro-escola fundado por Nóbrega) nas ruas de São Paulo e seus pontos mais conhecidos: o Minhocão, estações de metrô e até mesmo o vão livre do MASP, todos coloridos pelas expressões artísticas do grupo.

    Não há aqui a pretensão de resgatar toda a trajetória de Antônio Nóbrega, muito menos de contar a história cronológica de sua vida. Por isso, Brincante é claramente um projeto destinado aos admiradores e conhecedores da vasta gama de talentos do artista. Se você pouco conhece da obra de Nóbrega pode sentir dificuldades para se conectar. Uma edição mais caprichosa e um roteiro menos disperso também poderiam ajudar nessa tentativa.

    Brincante é um filme em que o visual conduz o espectador, algo que a admiração de Walter Carvalho pela obra de Antônio Nóbrega parece ter ajudado pouco. É inevitável dizer que um artista tão completo merecia uma homenagem muito mais inspirada.