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    BRINQUEDO ASSASSINO

    Por Thamires Viana
    21/08/2019

    Remakes sempre causam um certo receio naqueles mais céticos em relação à qualidade de uma refilmagem. E quando a ideia vem direcionada para uma franquia que é um ícone da cultura pop mundial, a coisa fica ainda mais complicada. Nesta quinta-feira chega aos cinemas Brinquedo Assassino, remake do longa de 1988 que se tornou um clássico do chamado "terror adolescente". Ao contrário do que se pensava, o filme se distancia do original, mas não é de uma forma positiva. 

    No novo longa, acompanhamos a história de Karen, personagem vivida pela atriz Aubrey Plaza, que, no aniversário de seu filho Andy (Gabriel Bateman), o presenteia com um Buddi, o boneco mais aguardado dos últimos tempos. O garoto é solitário e tem dificuldade de fazer amigos, portanto a chegada do brinquedo causa uma verdadeira alegria. No entanto, a versão de Buddi recebeu um upgrade que o faz ganhar vontades próprias e é aí que crimes estranhos começam a acontecer pela vizinhança.

    Com direção de Lars Klevberg, o novo filme não tem o envolvimento de nenhum membro da franquia original e se arrisca em trazer a tecnologia como vilã, o que o transforma em um episódio genérico de Black Mirror. Assim como uma Alexa - dispositivo inteligente que responde a comandos de voz -, o boneco precisa ser programado e ativado por um aplicativo de celular para que crie o reconhecimento de seu dono e se torne o melhor amigo dele.

    No entanto, diferente do clássico de 1988 idealizado por Don Mancini que trazia o boneco possuído pelo espírito de um serial killer, Chucky agora se torna um personagem chato, carente e sem qualquer personalidade. Esqueça aquele humor ácido e intrigante do ruivinho assustador, já que aqui ele só exige atenção e quando não recebe, usa da violência para se vingar daqueles que se aproximam de Andy. O que pode parecer uma premissa inovadora acaba deixando os crimes do boneco sem um propósito convincente a não ser o de ser amado a qualquer custo. Nem mesmo Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker, dando voz a Chucky deixa o longa interessante. 

    Indo para atuações, Plaza é uma atriz que definitivamente nasceu para esse gênero do 'terror-comédia' e abusa com eficácia de seu humor debochado. Conhecida pelas série Legion Parks and Recreation, a americana é o verdadeiro destaque na produção como a mãe solteira que erra tentando acertar e que de tão desligada, só acredita nas maldades do boneco lá pro final do terceiro ato do filme.

    Outro que garante ótimos momentos de carisma em tela é Brian Tyree Henry, ator de Homem-aranha No Aranhaverso e da série Atlanta. Aqui ele vive o detetive Mike Norris, um homem com pose de durão que mora no mesmo prédio de Andy e Karen. Além de estar sempre à frente dos crimes cometidos por Chucky, ele se aproxima do garoto e forma uma divertida amizade. A dinâmica entre eles é um dos únicos pontos positivos do filme. 

    Longe de ser uma homenagem ao original, Brinquedo Assassino é mais um da lista de remakes que deveria ter permanecido apenas na mente do criador!