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    BROOKLIN

    Saoirse Ronan merece sua segunda indicação ao Oscar
    Por Edu Fernandes
    10/02/2016
    8/10

    BROOKLIN

    12
    Drama

    Lembra quando James Cameron anunciou que tinha aguardado a tecnologia avançar até um ponto em que fosse possível realizar Avatar (2009) com o apuro visual desejável? Pois bem, algo semelhante acontece com Brooklin, mas a espera foi pelo envelhecimento da atriz principal. Desde o começo, Saoirse Ronan (O Grande Hotel Budapeste) foi a primeira opção para a protagonista, mas era jovem demais para o papel. Depois que vários atrasos se sucederem antes do início da produção, a atriz chegou à idade desejada e pôde assumir o posto.

    No longa, Ronan interpreta Ellis, uma jovem irlandesa que não tem muito pelo que esperar na pequena cidade onde vive no começo dos anos 1950. Por isso, agarra a oportunidade oferecida pelo Padre Flood (Jim Broadbent, de As Aventuras De Paddington) de cruzar o oceano e tentar a sorte em Nova York, onde trabalhará como vendedora em uma loja de departamentos. No entanto, o plano da moça é estudar para ser contadora e seguir os passos profissionais de sua irmã mais velha (Fiona Glascott, de Apartamento 143).

    O nome da personagem principal não é um acaso. É na Ilha Ellis que fica a Estátua da Liberdade e era por lá que chegavam os imigrantes europeus – esses cujos filhos e netos querem expulsar refugiados de guerra e latinos dos Estados Unidos. E é pelos olhos e sentimentos de Ellis que o público tem contato com dramas típicos de imigrantes de ontem e de hoje: a saudade da terra natal, a necessidade de ficar junto de conterrâneos, as dificuldades de adaptação. Isso é possível muito devido ao talento inegável de Saoirse Ronan, que entrega as emoções e dilemas da personagem apenas com o olhar.

    Apesar da importância desses temas ligados à imigração, não é só disso que fala Brooklin. O roteiro é baseado no romance escrito por Colm Tóibín, que admite ter Jane Austen como uma de suas influências. Assim, temos uma forte protagonista feminina que lida com questões de cunho feminino. Ellis precisa casar, na visão da sociedade, mas ao mesmo tempo nutre suas ambições individuais.

    Felizmente, ela conhece no Novo Mundo Tony (Emory Cohen, de Smash), um encanador de família italiana com um fraco por moças irlandesas. O rapaz em momento algum tenta apagar os sonhos da heroína e o relacionamento dos dois evolui com certa facilidade.

    As questões femininas ficam mais claras em coadjuvantes, como as colegas de residência de Ellis. A moça mora na pensão da Sr. Keogh (Julie Walters, de Apenas Uma Chance) e as outras hóspedes evidenciam seus problemas em uma colcha de retalhos narrativa: recomeçar a vida após um divórcio, encontrar um namorado, fofocas em geral, não descuidar para evitar a má fama, etc. Outras questões do tipo são pinceladas pelo trajeto de personagens do núcleo irlandês do filme.

    Como na obra de Austen, a protagonista de Brooklin não é perfeita. Ao mesmo tempo em que sofre perdas que criam cenas emocionantes para conectar Ellis ao espectador, a moça tem suas dúvidas. Ela sofre tentações, não cumpre todas as regras à risca e se torna uma pessoa mais autêntica.

    Na adaptação para a tela grande, esse aspecto foi uma das preocupações do roteirista Nick Hornby (Livre). Tanto que alguns acontecimentos são diferentes no cinema, o que torna Brooklin uma nova história para quem conhece o romance original. Entretanto, o objetivo da manobra é procurar um novo caminho dramático menos ousado para Ellis.