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    BRUXA DE BLAIR

    Longa mantém fator surpresa, mesmo com subgênero desgastado
    Por Iara Vasconcelos
    14/09/2016

    Quando foi lançado em 1999, Bruxa De Blair fez parte de uma importante revolução em Hollywood. O longa de Eduardo Sánchez e Daniel Myrick inaugurou um novo subgênero no terror: o found footage, uma espécie de falso documentário que simula cenas realistas gravadas com uma câmera caseira.

    Para completar, a produção contou com um orçamento pífio, mas conseguiu conquistar uma bilheteria de US$ 250 milhões graças a sua campanha de marketing criativa feita através de fóruns da internet, que fez com que muitos acreditassem que a história era real.

    Se a baixa qualidade das imagens fez muito crítico refinado se contorcer na época, para outros o longa era a inovação da década. Desde então, os diretores não só de terror, mas de outros gêneros também, usaram e abusaram dos recursos do found footage, chegando até a banalizá-lo.

    Se o segundo filme da saga Bruxa De Blair é um episódio que merece ser esquecido, o terceiro consegue resgatar um pouco do espírito do original. Naturalmente, a produção amadureceu tecnicamente – agora, até as câmeras amadoras evoluíram e um drone é usado para filmagens aéreas - mas sua essência amadora continua lá.

    Comandado pelo rei do terror independente Adam Wingard (Você É O Próximoo e The Guest), a trama conta novamente com a cidade de Burkittsville como cenário e acompanha um grupo de estudantes que se aventura na misteriosa floresta de Black Hills para desvendar o segredo por trás do desaparecimento de Heather, irmã de um deles.

    Eles acreditam que o caso pode estar ligado à lenda da bruxa de Blair e acabam pedindo a ajuda de dois moradores locais para adentrar o local. Mas com o cair da noite, eles são surpreendidos por uma presença ameaçadora, que tira qualquer dúvida a respeito da veracidade da história.

    O longa começa morno, investe mais nos pequenos sustos, como sons de pássaros ou de árvores caindo, mas é próximo ao final que a coisa pega. O diretor soube explorar sons para criar tensão, que aumenta gradativamente, além de uma sequência claustrofóbica em que a protagonista precisa atravessar um túnel de terra para escapar.

    Vale lembrar que o longa de 2016 não é um reboot, mas sim uma continuação do primeiro, deixando claro que o desastroso segundo filme foi desconsiderado nessa linha do tempo. Wingard ainda deixa perguntas em aberto, mas um quarto filme talvez não seja necessário, visto o desgaste desse formato de terror no cenário atual.

    Bruxa De Blair consegue a façanha de manter o fator surpresa mesmo diante do esgotamento dos artifícios que fizeram do filme de 1999 um sucesso. Wingard consegue adaptar a trama aos dias atuais – com os elementos tecnológicos já citados – sem perder a sua essência. Talvez a produção não tenha a mesma importância cultural, mas sem dúvidas é uma sequência que valeu a pena ser feita.