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    BUSCA IMPLACÁVEL 3

    Liam Neeson ainda é o ponto alto da franquia de ação
    Por Daniel Reininger
    20/01/2015

    Sem o fôlego do primeiro filme, Busca Implacável 3 é uma nova chance de ver Liam Neeson como um dos personagens mais bad-ass e carismáticos de sua carreira. Como esperado, o longa não chega aos pés do original, porém, é mais interessante que o segundo da trilogia, afinal abandona (finalmente) a trama sobre sequestro e foca na busca pela verdade por trás de um crime, algo parecido com O Fugitivo.

    Pois é, dessa vez, Bryan Mills (Neeson) precisa "apenas" fugir da polícia, investigar o assassinato de um ente querido, continuar vivo, manter a salvo sua filha Kim (Maggie Grace) e entender por que capangas tentam matá-lo. Moleza. Diferente dos anteriores, ambientados em cidades europeias, Bryan precisa correr por Los Angeles atrás de pistas, mas essa mudança de cenário elimina um dos elementos mais interessantes da franquia até aqui: ação em solo estrangeiro, onde, com poucos recursos, Mills precisava fazer o impossível.

    Pelo menos, Luc Besson e o diretor Olivier Megaton tomaram a acertada decisão de dar maior importância aos amigos de Bryan, todos agentes secretos, claro. Os veteranos participam ativamente da ação e têm até uma fortaleza subterrânea repleta de gadgets tecnológicos, de onde podem planejar seus próximos movimentos com segurança, algo divertido para um filme despreocupado com o realismo.

    Além disso, embora o cineasta esteja ciente de que não são necessárias atuações dignas de Oscar para garantir diversão, o filme possui bons personagens e intepretações capazes de convencer o espectador. Famke Janssen, por exemplo, consegue fazer o tipo perturbado e confuso romanticamente com facilidade. Forest Whitaker não encanta, mas está bem no papel do típico policial capaz de entender a verdade por trás dos fatos. Até Maggie Grace, habitual donzela em perigo de pouca expressão, consegue ser mais interessante do que no longa anterior.

    O problema é que o tom da narrativa atrapalha, exatamente, o que deveria ser seu foco: a investigação. Esse tipo de trama tende a funcionar melhor em cima do suspense, mas o mistério fica totalmente de lado em Busca Implacável 3. Cada nova pista é arrancada de capangas armados na base da porrada e, quando descoberta, explicada minuciosamente pelo protagonista, algo totalmente desnecessário e chato.

    Para piorar, os bandidos não ajudam e caem em clichês que já cansamos de ver nos cinemas e nenhum deles vai além de sacos de pancada. Até mesmo o chefão do crime, que deveria ser a versão Russa do personagem de Nesson, é sem graça e só consegue ser mais um vilão desinteressante a ser enfrentado. Outro problema está na montagem. Cortes exagerados e tomadas apressadas transformam o filme em enorme bagunça do ponto de vista técnico. Como consequência, o longa fica cansativo muito rápido, mesmo que as cenas de ação sejam interessantes.

    Busca Implacável 3 vale pela tentativa de tirar a série da mesmice, embora não consiga ser algo, de fato, original. O carisma de Neeson, Whitaker e algumas boas cenas de ação devem garantir a diversão da maioria dos espectadores, principalmente daqueles que gostam do segundo filme. O espetacular momento no qual um Porshe acelera contra um avião é o ponto alto da produção e é o tipo de cena que faz qualquer fã do gênero ficar animado. Com altos e baixos, a franquia mostra sinais claros de cansaço e, se Luc Besson pretende continuar com ela, precisará ir além na próxima sequência.