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    CAÇA AOS GÂNGSTERES

    Previsível e com personagens superficiais, longa se parece mais com paródia de um filme <em>noir</em>
    Por Roberto Guerra
    27/01/2013

    Nem mesmo o elenco de grandes nomes consegue salvar este longa de uma espécie de obviedade crescente, que culmina num desfecho tão evidente e previsível quanto foi seu desenvolvimento. Há em Caça aos Gângsteres um vilão patente, Mickey Cohen, um tipo violento e irascível interpretado por Sean Penn. Ele é alvo do sargento John O’Mara (Josh Brolin), estereótipo do policial durão escalado pelo chefe de polícia Parker (Nick Nolte) para reunir um esquadrão de elite e confrontar o poderoso gângster.

    E os tipos seguem, rasos, reunindo traços básicos de caráter e alguma habilidade especial: um é bom com tecnologia (e usa óculos, claro), outro é uma espécie de Billy, The Kid com um revólver na mão. Há também o cínico individualista (Ryan Gosling), que nega se envolver na briga a princípio, mas muda de ideia por um motivo pessoal que nos revela seu coração de ouro. Não há nada mais profundo sobre esses personagens, nada que os transformem em pessoas de carne e osso. São caricaturas a enfrentar outra grande caricatura: o vilão vivido por Penn.

    Em Caça aos Gângsteres está tudo muito claro: não duvidamos um momento sequer da boa intenção dos heróis tampouco do mau-caratismo atávico dos vilões. Quando o esquadrão é finalmente reunido, o longa recaí em outro desacerto: tentar ser engraçado. Na primeira investida do grupo contra os negócios escusos de Cohen, algo dá errado e, de uma hora para outra, o roteirista Will Beall acredita tratar-se de um bom momento para se inserir humor na trama. Não funciona, mesmo porque o filme, até então, estava sendo levado em outra toada.

    O que segue são intensas cenas de perseguição e tiroteio, muito uso de câmera lenta e uma inaudita habilidade dos bons em desviar das rajadas de metralhadora dos maus - excessivamente ruins de pontaria aqui. Baseado na história real do gângster Mickey Cohen, que nasceu no Brooklyn e almejou ser o todo-poderoso de Los Angeles, o longa passa ao largo da realidade, até mesmo na composição de Cohen, que com sua maquiagem carregada e maneirismos mais parace um vilão de Dick Tracy.

    Apesar da recriação visual atraente da Los Angeles da década de 40 no melhor estilo noir, com contraste entre luz e sombra característico do gênero, algumas vezes Caça aos Gângsteres faz escolhas estilísticas duvidosas e abusa de efeitos de congelamento de quadro e slow motion, levando as técnicas a chamarem mais atenção do que o filme, principalmente quando usadas em cenas desimportantes e sem absoluta necessidade.

    Tecnologia de ponta e bons atores – com exceção de Emma Stone, sempre aquém – não conseguem fazer de Caça aos Gângsteres um bom filme. O diretor Ruben Fleischer (do ótimo Zumbilândia) fez seu longa transitar sem rumo entre o real e a caricatura. A sensação ao subir dos créditos é de termos viso uma paródia de filme noir, algo muito distante das boas e inesquecíveis produções que marcaram o gênero.