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    CAÇADORES DE EMOÇÃO - ALÉM DO LIMITE

    Filme de ação parece documentário de esportes radicais
    Por Edu Fernandes
    27/01/2016

    Muito antes de ganhar o Oscar por Guerra Ao Terror (2008), Kathryn Bigelow dirigiu Caçadores De Emoção (1991), um longa de aventura estrelado por Patrick Swayze e Keanu Reeves que até hoje é reprisado na TV aberta. A história que mistura esportes radicais com crimes ousados ganha nova versão em Caçadores De Emoção - Além Do Limite, mas o remake perde muito na tentativa de se atualizar ao mundo de hoje.

    A ideia central é a mesma: um ex-atleta de esportes radicais (Luke Bracey, de O Melhor De Mim) entra para o FBI e a missão de Utah é se infiltrar em uma gangue cujo líder (Edgar Ramirez, de Joy: O Nome Do Sucesso) é um tipo carismático. Conforme a amizade entre os dois se fortalece, o protagonista questiona sua tarefa – tema semelhante ao de Velozes E Furiosos (2001), por exemplo.

    Para afastar qualquer suspeita de atração sexual entre os dois homens, uma personagem feminina é jogada no meio da história. Por alguma razão, a pseudo-hippie Samsara (Teresa Palmer, de Meu Namorado É Um Zumbi) fica zanzando no meio da turma dos criminosos esportistas e se interessa por Utah.

    O problema é que dos anos 1990 para cá muita coisa mudou e o filme precisa de novidades. Uma delas é a inserção do tema ecoterrorismo. Bodhi comete os crimes audaciosos como forma de passar uma mensagem de ativista.

    Outra alteração é que o filme original recebeu classificação indicativa R (Rated – apenas maiores de 17 anos podem assistir), enquanto o remake cai para o famigerado PG-13 (para maiores de 13 anos). A busca cega pelo púbico familiar sacrifica cenas de tiroteio e sangue. Assim, entram no jogo esportes radicais e paisagens estonteantes – aos borbotões.

    Caçadores de Emoção: Além do Limite está ciente de que sua força reside agora nisso, e se esforça em valorizar tais aspectos. Para tanto, o filme é lançado em 3D, mas a direção não tira proveito máximo do tipo de projeção. O verdadeiro esforço é de produção.

    O longa foi filmado por quase um ano ao redor do mundo – há cenas em quatro continentes. O de efeitos visuais de tela verde foi minimizado e se apostou alto nos dublês e na estrutura para capitação de imagens nesses cenários. Vários tipos de câmera são empregados e o resultado parece com documentários de canais televisivo de viagem e esporte radicais.

    Com tudo alinhado, só faltou investir na dramaturgia. O roteiro se desdobra para incluir locações exuberantes e se esquece de contar uma história cativante. É sabido que em alguns filmes, o foco não está na narrativa, mas em outros atrativos – sejam eles carros tunados, figurinos de grife, ou explosões. Mesmo assim, é preciso de alguma conexão com a história contada. No fim das contas, o espectador fica impressionado com as paisagens, mas não se conecta aos personagens – uma falha grave a qualquer filme narrativo.