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    CAFÉ SOCIETY

    Diretor mostra as agruras dos amores juvenis
    Por Iara Vasconcelos
    24/08/2016

    Desde os anos 2000, Woody Allen estabeleceu uma meta (não oficial) de lançar um filme por ano. Essa "era" rendeu excelentes títulos como Match Point, Vicky Cristina Barcelona, Meia Noite Em Paris, entretanto, Allen não é uma fonte inesgotável de criatividade e, entre produções tão boas, não é incomum nos depararmos com tramas pouco inspiradas. Café Society é uma delas.

    Dessa vez, Allen mostra as agruras dos amores juvenis em uma sociedade de aparências na Hollywood dos anos 30 – mas essa trama poderia ser aplicada até hoje, por que não? Bobby (Jesse Eisenberg) é um jovem judeu que se muda para Hollywood para trabalhar com seu tio, uma importante figura da indústria cinematográfica. Lá ele se vê inspirado por muito mais do que as belas paisagens da cidade ou os astros do cinema ao se encantar pela bela e autêntica Vonnie, secretária do escritório.

    Metódico, com discursos filosóficos, mas extremamente ingênuo, Bobby acredita que o amor sempre vence, mesmo no ambiente superficial em que vive. Por isso, acredita que Vonnie largará seu namorado rico e influente para ter uma vida sossegada em Nova York, berço da camada intelectual americana na época. Entretanto, no fundo sabe que ela tem mais em comum com aquelas pessoas do que com ele.

    Assim como ocorreu em Homem Irracional e Magia Ao Luar, as personagens femininas continuam sendo retratadas como influenciáveis e traiçoeiras. Não lembram nem de longe a Jasmine de Cate Blanchett.

    Allen continua a abraçar o existencialismo em seus diálogos – "A vida é uma comédia escrita por um comediante sádico", diz um dos personagens em uma das cenas – sempre acompanhados por uma narração feita pelo próprio cineasta. Apesar disso, o roteiro possui humor na medida certa e até permite fazer piadas religiosas sem parecer ofensivo.

    A fotografia em tons de sépia dá o toque vintage à trama e, apesar das belas paisagens de Los Angeles, o diretor procura explorar mais os ambientes interiores, o que faz sentido já que as relações pessoais e os "clubinhos" da alta sociedade são o foco principal da narrativa.

    Café Society não entra para o hall de melhores filmes de Allen, mas também não é um dos piores, é simplesmente mais uma produção sem sabor do cineasta. Não há nada que não tenhamos visto nos longas anteriores do cineasta, mas a trama é bem executada e deve agradar aos fãs inveterados do diretor.