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    CAFUNDÓ

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Poucos sabem, mas a figura do Preto Velho que sempre vemos nas casas que vendem produtos de umbanda realmente existiu e simboliza o que João de Camargo representou: um líder religioso capaz de levar a fé a centenas de pessoa. Por isso, ele é idolatrado até hoje, especialmente na cidade de Sorocaba (SP), onde viveu. O longa-metragem Cafundó é uma crônica que desvenda a vida do líder religioso e o eleva a status de mito.

    O ex-escravo João de Camargo (Lázaro Ramos) viveu no século 19. Após receber a alforria, João caiu num mundo completamente novo, cheio de desafios e perigos. Numa doutrina que mistura o cristianismo e sua cultura de raízes africanas, virou milagreiro. Idolatrado pelos moradores locais ao desenvolver um inexplicado poder de cura, João viveu para ajudar às pessoas ao seu redor e morreu precocemente, aos 40 anos, tornando-se uma das lendas brasileiras, se popularizando como o Preto Velho.

    Estréia na direção do ator Paulo Betti (Ed Mort), ao lado do diretor de arte Clóvis Bueno, Cafundó não é de todo mal. Bem-dirigido, com fotografia, interpretações e direção de arte inspirados, o filme acaba se perdendo por conta do roteiro confuso (também assinado por Bueno). São muitos fatos e personagens que acabam perdendo-se na intenção de criar um retrato do enigmático protagonista. O filme gira em torno de sua figura, mas os acontecimentos contados são apresentados completamente fora da devida órbita. Por isso, é um filme confuso e cansativo, porém esteticamente bem desenvolvido.

    Filmado em 2003 no Paraná e São Paulo, Cafundó foi vencedor da edição de 2005 do Festival de Gramado, recebendo os Kikitos de Melhor Ator (Lázaro Ramos), Melhor Direção de Arte (Vera Hamburger), Melhor Direção de Fotografia (José Roberto Eliezer), Prêmio Especial do Júri e Prêmio Especial RGE (Rio Grande Energia) de Melhor Fotografia. E, mesmo assim, demorou para entrar em cartaz no circuito comercial, mostrando que o cinema brasileiro ainda não tem tanto espaço entre o público e os exibidores em seu próprio País.