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    CAKE: UMA RAZÃO PARA VIVER

    Aniston é o maior destaque de um drama com grandes falhas de roteiro
    Por Pedro Tritto
    30/04/2015

    Quando foi anunciado a lista das atrizes indicadas para o Oscar 2015, em janeiro, uma das ausências mais sentidas foi a de Jennifer Aniston. Não que a escolha final tivesse sido injusta (Julianne Moore provou com uma atuação emocionante em Para Sempre Alice que mereceu a estatueta), mas esperava-se que a eterna Rachel, do seriado Friends, estivesse entre as favoritas, muito por causa da bela atuação em Cake: Uma Razão Para Viver.

    Ao assistir o filme, é possível entender o motivo dela ter ficado de fora. E a culpa não é atriz. Ela, por sinal, é o maior atrativo do filme. É que, infelizmente, o longa não apresenta a consistência necessária para justificar uma indicação ao principal prêmio do cinema, principalmente na hora de relatar o drama de uma mulher com dificuldades de superar os traumas recentes de sua vida.

    A história gira em torno de Claire Simons (Aniston), uma mulher traumatizada e depressiva, que busca ajuda em um grupo de apoio. O motivo de tanta tristeza? Ela perdeu seu único filho em um acidente de carro e também ficou com várias cicatrizes pelo corpo, que a incomodam o tempo inteiro, principalmente na hora de se locomover para outros lugares.

    Em uma dessas reuniões, ela descobre que Nina (Anna Kendrick), outra integrante do grupo, tirou a própria vida ao se jogar de uma ponte. Obcecada pelo caso, Claire começa a investigar os motivos que fizeram a jovem desistir de tudo. Para isso, ela passa a fazer parte da família da moça, aproximando-se do marido e do filho dela.

    Falando especificamente de Aniston, ela mostra mais uma vez que sabe fazer drama. Em Cake, ela demonstra um apelo emocional bem intenso e deixa transparecer toda a dor e raiva de uma pessoa que se sente culpada e não consegue aceitar as dificuldades de um forte tratamento psicológico. Pena que o talento demonstrado pela atriz não é suficiente para sustentar a trama proposta pelo diretor Daniel Barnz, que é repetitiva (não é novidade um filme falar sobre superação) e que apresenta grandes falhas de roteiro.

    A mais grave gira em torno do acidente de Claire. Em nenhum momento esse assunto é abordado detalhadamente, ou seja, não dá para concluir com exatidão como um dos fatos mais importantes da história ocorreu e se, realmente, Claire teve culpa. E isso é bem ruim, pois, além de frustrar o espectador, deixa o longa sem uma posição concreta na hora de transmitir sua mensagem, o que o deixa sem uma identidade específica.

    Para um filme ser bom, claro que é preciso ter um elenco competente. E Cake tem isso. Além de Aniston, Sam Worthington (marido de Nina) e Adriana Barraza (Silvana, a empregada de Claire) também se destacam. No entanto, só isso não é suficiente. É verdade que o filme levanta questões pertinentes e dá importantes lições de superação, mas se torna decepcionante no conjunto da obra, pois não consegue abordar seu tema central de uma maneira clara, deixando vários pontos inconclusivos.