Pôster de Capitão Phillips

CAPITÃO PHILLIPS

(Captain Phillips)

2013 , 134 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paul Greengrass

    Equipe técnica

    Roteiro: Billy Ray, Richard Phillips, Stephan Talty

    Produção: Christopher Rouse, Dana Brunetti, Michael Bronner, Michael De Luca, Scott Rudin

    Fotografia: Barry Ackroyd

    Trilha Sonora: Henry Jackman

    Estúdio: Michael De Luca Productions, Scott Rudin Productions, Trigger Street Productions

    Montador: Christopher Rouse

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Amr El-Bayoumi, Angus Maclnnes, Anthony Rios, Bob Dio, Catherine Keener, Chris Mulkey, Corey Johnson, David Warshofsky, David Webber, George J. Vezina, Gigi Raines, IanRalph, John Magaro, Kapil Parikh, Kristin Waluk, Len Anderson IV, Louis Mahoney, Marc Anwar, Mark Holden, Max Martini, Michael Chernus, Peter Landi, San Shella, Suzanne Prunty, Terence Anderson, Thomas Grube, Tom Hanks, Tom Mariano, Vincenzo Nicoli, Will Bowden, Yul Vazquez

  • Crítica

    06/11/2013 19h34

    Por Daniel Reininger

    Quando pessoas comuns são colocadas em situações extremas, qualquer erro pode significar o fim da linha. Essa tensão guia Capitão Phillips ao longo de suas duas horas. A agonia de Tom Hanks, que passa boa parte da narrativa sob a mira de uma arma, é transferida para os espectadores de forma intensa e cria uma espécie de transe enquanto esperamos pelo pior.

    Quatro anos após estampar as manchetes de todo o mundo, o sequestro do capitão Richard Phillips chega às telonas pelas mãos do especialista em adaptações de histórias reais, Paul Greengrass. O cineasta se mostra totalmente no controle de sua obra e o resultado é um drama emocionalmente carregado, nos moldes de Domingo Sangrento e Vôo United 93, nos quais pessoas comuns precisam sobreviver a situações violentas.

    Ainda a caminho do aeroporto, Phillips tem uma conversa casual com a esposa (Catherine Keener) sobre o futuro dos filhos. Entretanto, fica clara a apreensão de ambos com a tarefa adiante, na qual o homem precisará passar pela costa da Somália, região conhecida pela grande atividade de piratas.

    A preocupação se torna realidade quando, já em alto mar, o navio Maersk Alabama é atacado por duas lanchas piratas. A cena acompanha a intensa disputa entre capitães e é visceral, digna de filmes da série Identidade Bourne, dos quais dois também foram dirigidos por Greengrass. Hanks faz manobras evasivas e usa todos os truques dos manuais de navegação, enquanto os piratas tentam a todo custo se aproximar da embarcação.

    Quando finalmente os invasores sobem a bordo, começa um pesado conto de sobrevivência, no qual cada decisão dos envolvidos gera consequências imprevisíveis. Hanks precisa manter sua tripulação viva e tentar afastar os sequestradores das partes vitais do navio. O ator transparece todo tipo de emoção enquanto tenta manter a calma em uma das atuações mais sólidas e poderosas de sua carreira, especialmente perto do clímax.

    Em contrapartida, era necessário um antagonista forte, e o desconhecido Barkhad Abdi, da Somália, impressiona no comando dos piratas. Seu personagem, Muse, é cruel, desesperado, ingênuo e cheio de compaixão - tudo ao mesmo tempo. Phillips e Muse são complexos e não será surpresa ver os atores que os interpretam indicados ao Globo de Ouro e ao Oscar.

    Mérito também para o diretor de fotografia Barry Ackroyd, parceiro de longa data de Greengrass, e responsável por utilizar muito bem os espaços das embarcações. No começo, o Alabama parece enorme, mas conforme a tensão cresce e a ação se move para locais menores a sensação se torna cada vez mais claustrofóbica. Eventualmente, o cenário muda para um barco salva-vidas e é quase possível sentir o cheiro do suor e sujeira no minúsculo espaço mal ventilado.

    Apesar da força da história, o longa sofre com a sensação de Deja Vu, especialmente se comparado com Voo United 93. Além disso, o diretor perde a chance de se aprofundar nas motivações dos piratas ou no sofrimento do povo somali e foca demais no americanismo exacerbado – o que não é surpresa para um filme hollywoodiano. No entanto, esses são detalhes que não tiram o brilho de Capitão Phillips.

    Conduzido com habilidade, o longa é um retrato arrepiante de conflito nos mares modernos, capaz de mostrar detalhes dos fatos como nenhum outro meio foi capaz. O realismo deixa tudo visceral e o medo dos envolvidos é tão verdadeiro que sentimos por eles, mesmo se lembrarmos dos jornais e soubermos como a história termina.



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