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    CAPITÃO PHILLIPS

    Apesar da trama simples, filme é fluído e o final intenso
    Por Daniel Reininger
    06/11/2013

    Quando pessoas comuns são colocadas em situações extremas, qualquer erro pode significar o fim da linha. Essa tensão guia Capitão Phillips ao longo de suas duas horas. A agonia de Tom Hanks, que passa boa parte da narrativa sob a mira de uma arma, é transferida para os espectadores de forma intensa e cria uma espécie de transe enquanto esperamos pelo pior.

    Quatro anos após estampar as manchetes de todo o mundo, o sequestro do capitão Richard Phillips chega às telonas pelas mãos do especialista em adaptações de histórias reais, Paul Greengrass. O cineasta se mostra totalmente no controle de sua obra e o resultado é um drama emocionalmente carregado, nos moldes de Domingo Sangrento e Vôo United 93, nos quais pessoas comuns precisam sobreviver a situações violentas.

    Ainda a caminho do aeroporto, Phillips tem uma conversa casual com a esposa (Catherine Keener) sobre o futuro dos filhos. Entretanto, fica clara a apreensão de ambos com a tarefa adiante, na qual o homem precisará passar pela costa da Somália, região conhecida pela grande atividade de piratas.

    A preocupação se torna realidade quando, já em alto mar, o navio Maersk Alabama é atacado por duas lanchas piratas. A cena acompanha a intensa disputa entre capitães e é visceral, digna de filmes da série Identidade Bourne, dos quais dois também foram dirigidos por Greengrass. Hanks faz manobras evasivas e usa todos os truques dos manuais de navegação, enquanto os piratas tentam a todo custo se aproximar da embarcação.

    Quando finalmente os invasores sobem a bordo, começa um pesado conto de sobrevivência, no qual cada decisão dos envolvidos gera consequências imprevisíveis. Hanks precisa manter sua tripulação viva e tentar afastar os sequestradores das partes vitais do navio. O ator transparece todo tipo de emoção enquanto tenta manter a calma em uma das atuações mais sólidas e poderosas de sua carreira, especialmente perto do clímax.

    Em contrapartida, era necessário um antagonista forte, e o desconhecido Barkhad Abdi, da Somália, impressiona no comando dos piratas. Seu personagem, Muse, é cruel, desesperado, ingênuo e cheio de compaixão - tudo ao mesmo tempo. Phillips e Muse são complexos e não será surpresa ver os atores que os interpretam indicados ao Globo de Ouro e ao Oscar.

    Mérito também para o diretor de fotografia Barry Ackroyd, parceiro de longa data de Greengrass, e responsável por utilizar muito bem os espaços das embarcações. No começo, o Alabama parece enorme, mas conforme a tensão cresce e a ação se move para locais menores a sensação se torna cada vez mais claustrofóbica. Eventualmente, o cenário muda para um barco salva-vidas e é quase possível sentir o cheiro do suor e sujeira no minúsculo espaço mal ventilado.

    Apesar da força da história, o longa sofre com a sensação de Deja Vu, especialmente se comparado com Voo United 93. Além disso, o diretor perde a chance de se aprofundar nas motivações dos piratas ou no sofrimento do povo somali e foca demais no americanismo exacerbado – o que não é surpresa para um filme hollywoodiano. No entanto, esses são detalhes que não tiram o brilho de Capitão Phillips.

    Conduzido com habilidade, o longa é um retrato arrepiante de conflito nos mares modernos, capaz de mostrar detalhes dos fatos como nenhum outro meio foi capaz. O realismo deixa tudo visceral e o medo dos envolvidos é tão verdadeiro que sentimos por eles, mesmo se lembrarmos dos jornais e soubermos como a história termina.