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    CARANDIRU

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Fotografia impecável, cortes precisos, trilha sonora envolvente, um tema fascinante, uma produção de primeiríssima linha. Mas mesmo assim Carandiru não emociona. Por que? Talvez porque entre o projeto inicial e a sua estréia nos cinemas, o Brasil tenha conhecido um fenômeno cinematográfico muito mais empolgante chamado Cidade de Deus. No filme de Fernando Meirelles, o realismo explode na tela. Perde-se o limite entre o documental e a ficção. Os atores mais experientes se mesclam perfeitamente com os mais novatos dos estreantes. Cidade de Deus é câmera na mão, é sabor de improviso bem realizado, é coração batendo forte e emoção presa na garganta. Carandiru, por outro lado, permite que a técnica precisa e o capricho em todos os detalhes falem mais alto e mais forte que a emoção que o tema deveria transpirar em todos os seus poros.

    Em Carandiru, fica sempre muito claro que, sim, são atores interpretando marginais. Rodrigo Santoro pode estar ótimo, mas continua sendo Rodrigo Santoro interpretando Lady Di. A verdadeira Lady jamais sai da bidimensionalidade da tela para ganhar a tridimensionalidade da emoção da platéia. Em Cidade de Deus, Zé Pequeno é Zé Pequeno e ninguém mais. Ele sai da tela diretamente para assaltar nosso carro na esquina. E o público até se esquece que está vendo um filme. Este, aliás, é o principal problema de Carandiru: em nenhum momento a platéia se esquece que está vendo um filme. Tudo é frio, distante, marcadamente interpretado. O que certamente é uma pena para um filme tão aguardado, baseado num livro de tanto sucesso, e retratando um assunto que poderia estar gerando tanta polêmica.

    Para quem não acompanhou, Carandiru é baseado no livro "Estação Carandiru", best-seller de Drauzio Varella, que durante vários anos foi médico da famosa penitenciária que dá nome ao filme. Varella transformou-se em amigo e confidente de centenas de detentos. Ouviu suas histórias e as relatou por escrito sem tomar partidos, e com o cuidado de trocar os nomes. Um de seus famosos pacientes - o cineasta Hector Babenco - o convenceu a transformar sua experiência em livro. Varella aceitou a idéia e acabou escrevendo um fenômeno de vendas da literatura brasileira.

    Coube ao próprio mentor da idéia sua transposição para o cinema.

    7 de abril de 2003


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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br