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    CARO FRANCIS

    Posição favorável a personagem enriquece e enfraquece filme de Nelson Hoineff<br />
    Por Angélica Bito
    04/01/2010

    Falecido em 1997, o jornalista Paulo Francis era conhecido por sua personalidade multifacetada e, principalmente, a ausência de papas na língua. Já alfinetou Lula, a Petrobras, colegas de trabalho e quem mais o pegasse de mau humor. Ao mesmo tempo, sua figura emblemática, popularizada entre as massas quando o jornalista passou a fazer comentários no Jornal da Globo, o colocou numa posição de destaque também no imaginário popular.

    O que Caro Francis, de Nelson Hoineff (Alô, Alô Terezinha), faz com clareza é resgatar a figura do jornalista, que, morto há 12 anos, pode ter se apagado da memória de muitos. A relação pessoal entre Hoineff e Francis possibilitou o acesso a imagens do arquivo pessoal da família do jornalista, que também foram inseridas no documentário, dando o tom pessoal à obra. Pontuado essa trajetória que Hoineff traça de Francis, figuras que conviveram ele ou que foram alvo de críticas e polêmicas – muitas, no caso – dão depoimentos sobre o jornalista.

    Paulo Francis sempre foi polêmico e muitas vezes deixou de pensar duas vezes ao criticar, ou seja, algumas polêmicas do jornalista dão tempero ao documentário. Porém, o interessante mesmo é relembrar sua figura e o que ela significou ao jornalismo brasileiro.

    Ao assumir esse lado unilateral, principalmente na escolha dos depoentes - quase todos amigos pessoais de Francis -, Caro Francis acaba agradando somente aos que realmente admiram a figura do polêmico personagem. Embora seja dirigido por um jornalista, seja sobre um jornalista e tenha profissionais desta área na produção, o documentário não se compromete com a imparcialidade tão buscada nessa área. O que, no fim das contas, acaba até indo de encontro com o tipo de jornalismo seguido pelo objeto do filme.

    A narrativa do filme é irregular: parecendo buscar certa objetividade na primeira metade, acaba tendo sua fluidez cortada pela demasiada inserção de momentos musicais e retratos do jornalista, ao mesmo tempo em que segue buscando a emoção dos entrevistados. Parece que, embora o próprio diretor afirme que não é um retrato isento de Francis, essa decisão ocorreu ali, no meio do próprio filme.

    Além disso, o público que não acompanhou tão de perto a carreira de Francis – que passou pelo teatro, motivo pelo qual ele mesmo tenha se tornado um personagem dentro do jornalismo – acaba ficando perdido em meio aos depoentes, identificados somente pelo nome, não por seu grau de relação com Francis ou algo explicativo que o valha.

    O fato é que, principalmente pela figura do jornalista, Caro Francis é capaz de dialogar e traduzir com clareza a figura de Paulo Francis, sempre tão polêmico e politicamente incorreto.