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    CARRIE - A ESTRANHA

    Remake cumpre seu papel, apesar dos excessos
    Por Roberto Guerra
    03/12/2013

    Mesmo tendo assistido ao original de 1976 algumas vezes, fui buscá-lo na prateleira para mais uma conferida antes de escrever sobre essa refilmagem. O filme de Brian De Palma continua a ser uma das melhores adaptações de uma obra de Stephen King para as telas e este remake não consegue superar sua força dramática. Então me veio a pergunta inevitável: "Existe alguma boa razão para revisitar essa história?". Sim, há: seu inegável potencial cinematográfico.

    Jovem e tímida adolescente, vítima de discriminação na escola, sufocada por uma mãe fanática religiosa, descobre ter poderes telecinéticos. Tem a chance de deixar de ser o patinho feio da turma ao ser convidada para o baile de formatura pelo rapaz mais popular do colégio. Mas, vítima de uma armação sórdida, é hostilizada e humilhada em frente de toda a turma. Imbuída por um desejo cego de vingança, promove uma carnificina na festa usando seus poderes.

    O conto de King é atemporal e dramaticamente capaz de conquistar a empatia do público de qualquer época. O filme tem uma personagem injustiçada, algo que mexe com a compaixão do espectador. E o melhor: ela tem atributos paranormais e pode usá-los para fazer justiça com as próprias mãos ou, no caso, força do pensamento. E quem de nós não gostaria de ter superpoderes para desfazer uma injustiça?

    A história é tão sedutora que esta versão dirigida por Kimberly Peirce pouco difere da original. O que este Carrie – A Estranha tem de novo é tão somente a adequação para os dias atuais, que é bem-sucedida em muitos aspectos apesar de se exceder em outros. Um dos problemas que o roteiro de Roberto Aguirre-Sacasa tinha de resolver era a questão da famosa cena no vestiário feminino, quando Carrie menstrua pela primeira vez no banho e é alvo do bullying das colegas.

    Se em 1976 já seria difícil imaginar uma jovem de 16 que não soubesse o que é menstruação, nos anos 2000 isso é totalmente impossível. Para resolver o impedimento, o roteiro apresenta uma Carrie White que foi educada pela perturbada mãe em casa até que a Justiça obrigou-a a matricular a garota numa escola regular, o que no filme ocorreu há pouco tempo.

    Como está sempre isolada das outras meninas, soa crível para o espectador que ela possa realmente desconhecer o ciclo reprodutivo feminino. Já a cena em que suas colegas de classe a humilham e jogam absorventes íntimos em sua direção ganha um cruel aspecto moderno: é gravada num celular por Chris Hargensen – a mesma que dias depois vai aprontar com ela no fatídico baile de formatura – e postada no Youtube.

    Outro ponto interessante da refilmagem é notar que Carrie, mesmo introvertida e sozinha, é mais arredia e voluntariosa. Ela toma a iniciativa de ir atrás de informações sobre a telecinésia, sua capacidade de mover objetos com a força da mente. Bem informada, passa a testar os limites de seus poderes. Na cena em que manipula cacos de um espelho que quebrou, dá um sorriso malicioso satisfeita com suas habilidades. A Carrie da atriz Chloë Grace Moretz tem um quê de rebeldia que a distancia um pouco da ingênua vulnerável vivida por Sissy Spacek no longa da década de 70.

    O filme usa (e abusa) dos efeitos especiais. A Carrie desta refilmagem não apenas olha para o objeto que quer movimentar, ela também comanda suas ações com o movimento dos braços. Mesmo sem fazer comparações com o longa de De Palma, há excessos claros. Em determinada cena Carrie tranca a mãe num cubículo debaixo da escada, fecha o trinco e...solda (!) a fechadura com o poder da mente. Há também outra sequência, envolvendo um carro onde fogem seus algozes, que deixaria o Magneto dos Ex-Men morrendo de inveja.

    Deixando de lado comparações e relevando-se os exageros pontuais, Carrie – A Estranha é bem realizado e cumpre seu objetivo de entreter sem grandes pretensões.