Pôster de Carrie

CARRIE - A ESTRANHA

(Carrie)

2013 , 100 MIN.

16 anos

Gênero: Terror

Estréia: 06/12/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Kimberly Peirce

    Equipe técnica

    Roteiro: Roberto Aguirre-Sacasa

    Produção: Kevin Misher

    Fotografia: Steve Yedlin

    Trilha Sonora: Marco Beltrami

    Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), Misher Films, Screen Gems

    Montador: Lee Percy, Nancy Richardson

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Alex Russell, Ansel Elgort, Chloë Grace Moretz, Connor Price, Cynthia Preston, Gabriella Wilde, Judy Greer, Julianne Moore, Karissa Strain, Katie Strain, Kim Roberts, Kyle Mac, Kyle MacLachian, Lucy DeLaat, Max Topplin, Michelle Nolden, Mouna Traoré, Nykeem Provo, Philip Nozuka, Portia Doubleday, Samantha Weinstein, Skyler Wexler, William MacDonald, Zoë Belkin

  • Crítica

    03/12/2013 15h00

    Mesmo tendo assistido ao original de 1976 algumas vezes, fui buscá-lo na prateleira para mais uma conferida antes de escrever sobre essa refilmagem. O filme de Brian De Palma continua a ser uma das melhores adaptações de uma obra de Stephen King para as telas e este remake não consegue superar sua força dramática. Então me veio a pergunta inevitável: "Existe alguma boa razão para revisitar essa história?". Sim, há: seu inegável potencial cinematográfico.

    Jovem e tímida adolescente, vítima de discriminação na escola, sufocada por uma mãe fanática religiosa, descobre ter poderes telecinéticos. Tem a chance de deixar de ser o patinho feio da turma ao ser convidada para o baile de formatura pelo rapaz mais popular do colégio. Mas, vítima de uma armação sórdida, é hostilizada e humilhada em frente de toda a turma. Imbuída por um desejo cego de vingança, promove uma carnificina na festa usando seus poderes.

    O conto de King é atemporal e dramaticamente capaz de conquistar a empatia do público de qualquer época. O filme tem uma personagem injustiçada, algo que mexe com a compaixão do espectador. E o melhor: ela tem atributos paranormais e pode usá-los para fazer justiça com as próprias mãos ou, no caso, força do pensamento. E quem de nós não gostaria de ter superpoderes para desfazer uma injustiça?

    A história é tão sedutora que esta versão dirigida por Kimberly Peirce pouco difere da original. O que este Carrie – A Estranha tem de novo é tão somente a adequação para os dias atuais, que é bem-sucedida em muitos aspectos apesar de se exceder em outros. Um dos problemas que o roteiro de Roberto Aguirre-Sacasa tinha de resolver era a questão da famosa cena no vestiário feminino, quando Carrie menstrua pela primeira vez no banho e é alvo do bullying das colegas.

    Se em 1976 já seria difícil imaginar uma jovem de 16 que não soubesse o que é menstruação, nos anos 2000 isso é totalmente impossível. Para resolver o impedimento, o roteiro apresenta uma Carrie White que foi educada pela perturbada mãe em casa até que a Justiça obrigou-a a matricular a garota numa escola regular, o que no filme ocorreu há pouco tempo.

    Como está sempre isolada das outras meninas, soa crível para o espectador que ela possa realmente desconhecer o ciclo reprodutivo feminino. Já a cena em que suas colegas de classe a humilham e jogam absorventes íntimos em sua direção ganha um cruel aspecto moderno: é gravada num celular por Chris Hargensen – a mesma que dias depois vai aprontar com ela no fatídico baile de formatura – e postada no Youtube.

    Outro ponto interessante da refilmagem é notar que Carrie, mesmo introvertida e sozinha, é mais arredia e voluntariosa. Ela toma a iniciativa de ir atrás de informações sobre a telecinésia, sua capacidade de mover objetos com a força da mente. Bem informada, passa a testar os limites de seus poderes. Na cena em que manipula cacos de um espelho que quebrou, dá um sorriso malicioso satisfeita com suas habilidades. A Carrie da atriz Chloë Grace Moretz tem um quê de rebeldia que a distancia um pouco da ingênua vulnerável vivida por Sissy Spacek no longa da década de 70.

    O filme usa (e abusa) dos efeitos especiais. A Carrie desta refilmagem não apenas olha para o objeto que quer movimentar, ela também comanda suas ações com o movimento dos braços. Mesmo sem fazer comparações com o longa de De Palma, há excessos claros. Em determinada cena Carrie tranca a mãe num cubículo debaixo da escada, fecha o trinco e...solda (!) a fechadura com o poder da mente. Há também outra sequência, envolvendo um carro onde fogem seus algozes, que deixaria o Magneto dos Ex-Men morrendo de inveja.

    Deixando de lado comparações e relevando-se os exageros pontuais, Carrie – A Estranha é bem realizado e cumpre seu objetivo de entreter sem grandes pretensões.



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